A educação é a prática mais humana, considerando-se a profundidade e a amplitude de sua influência na existência dos homens



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A coisa principal na vida não é o conhecimento, mas o uso que dele se faz.

Ai dos sábios e dos instruídos que não são virtuosos. Ai daquele que não tem casa e tenta construir um portão para ela.

Realmente sábio é aquele que sabe que não sabe nada.

Quanto mais velho um sábio, tanto mais sábio ele se torna; quanto mais velho um tolo, tanto mais ele ensandece.

Quem faz estudos na mocidade se assemelha a uma folha de papel branco na qual foram escritas as palavras da sabedoria. Mas quem começa a estudar quando está velho se parece com um pedaço de velho pergaminho no qual mal se lêem as palavras.

Quem quer aprender sabedoria dos moços é como um homem que come uvas antes que estejam maduras e bebe vinho ainda não fermentado. Mas quem faz o seu

aprendizado junto aos velhos é como quem come uvas maduras e bebe velho vinho sazonado.

Oh, sábios, tende cuidado em vossas preleções, porque vossas palavras podem ser interpretadas erroneamente quando não mais estais presentes.

Um mestre deveria sempre tentar ensinar concisamente e sem divagações.

Quando virdes um aluno que carrega as suas lições como se fossem barras pesadas de ferro, sabei que isso se dá porque o seu mestre não o assiste com bondade e paciência.

Aprendi muito com meus mestres, mais com meus companheiros, mais ainda com meus alunos.

Um sábio que não ensina aos outros é como um pé de mirra no deserto.

O estudo e o ensino da Tora só podem prosperar e desenvolver-se por meio de uma troca incessante de idéias e pensamentos entre mestres e pessoas cultas. "Aqueles que levam vida de eremita", diz Rabi José, "tomam-se aos poucos simplórios e tolos".

Como o aço afia o aço, um espírito treinado afia outro.

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Os mestres da Judéia que exigiu orna linguagem cuidadosa e correta prosperaram e sua influência que descuidaram do estudo e do emprego apropriado da esquecimento.



o ensino sem sistema torna o estudo difícil.

PAIS E FILHOS

Aquele que bate em seu filho adulto, incita-o ao pecado e ao crime

Os pais nunca deveriam mostrar a sua preferência por um de seus filhos em prejuízo dos demais. Poucas jardas de tecido de várias cores reduziram os filhos de Israel a escravos do Egito.

Todo pai deveria ensinar um oficio ao próprio filho. E há quem diga que ele deveria ensinar o nado a todos os seus filhos.

Se alguém deseja deserdar seus filhos, pode fazê-lo de acordo com a Lei. Samuel disse: "Não seja um daqueles que deserdam uma criança, ainda que travessa, em favor de outra".

Há muitos filhos que servem faisão no jantar a seu pai, mas fazem-no com olhar carrancudo e maneiras desagradáveis; esses não escaparão ao castigo. Outros filhos podem até deixar o pai fazer girar a roda de uma moenda num trabalho penoso, mas tratam-no com respeito e consideração; esses decerto serão recompensados.

KELER, Theodore M. R. von. A essência do Talmude. Rio de Janeiro, Edições de Ouro, 1969

ANÁLISE E REFLEXÃO

1. Discuta com seus companheiros as seguintes afirmações:

a) "Aquele que bate em seu filho adulto, incita-o ao pecado e ao crime".

b) "Aprendi muito com meus mestres, mais com meus companheiros, mais ainda com meus alunos".

2. Faça uma pesquisa sobre a influência do cultura judaica no pensamento pedagógico ocidental.

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Uma sociedade estratificada como a grega, sustentada por colônias, desenvolvida numa situação geográfica que facilitava o comércio entre o Oriente e o Ocidente, serviu de berço da cultura, da civilização e da educação ocidental. Os gregos tinham uma visão universal. Começaram por perguntar-se o que é o homem. Duas cidades rivalizaram em suas respostas: Esparta e Atenas. Para a primeira o homem devia ser antes de mais nada o resultado de seu culto ao corpo - devia ser forte, desenvolvido em todos os seus sentidos, eficaz em todas as suas ações. Para os atenienses, a virtude principal de um homem devia ser a luta por sua liberdade. Além disso, precisava ser racional, falar bem, defender seus direitos, argumentar. Em Atenas, o ideal do homem educado era o orador. Esses ideais, bem entendido, eram reservados apenas aos homens livres. Na Grécia, havia dezessete escravos para cada homem livre. E ser livre significava não ter preocupações materiais ou com o comércio e a guerra - atividades reservadas às classes inferiores. O caráter de classe da educação grega aparecia na exigência de que o ensino estimulasse a competição, as virtudes guerreiras, para assegurar a superioridade militar sobre as classes submetidas e as

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conquistadas. O homem bem-educ~4o tinha de ser capaz de mandar e de fazer-se obedecer. A educação ensinava uns poucos a governar. Se ensinasse todos a governar, talvez apontasse um caminho para a democracia, como entendemos hoje. Entre iguais pode existir o diálogo e a liberdade de ensino; e isso acontecia apenas entre os gregos livres.

Assim, a Grécia atingiu o ideal mais avançado da educação na atividade: a paidéia, uma educação integral, que consistia na integração entre a cultura da sociedade e a criação individual de outra cultura numa influência recíproca. Os gregos criaram uma pedagogia da eficiência individual e, concomitantemente, da liberdade e da convivência social e política. Os gregos realizaram a síntese entre a educação e a cultura: deram enorme valor à arte, à literatura, às ciências e à filosofia. A educação do homem integral consistia na formação do corpo pela ginástica, na da mente pela filosofia e pelas ciências, e na da moral e dos sentimentos pela música e pelas artes. Nos poemas de Homero, a "bíblia do mundo heleno", tudo se estudava: literatura, história, geografia, ciências, etc.

Uma educação tão rica não podia escapar às divergências. Entre os espartanos predominava a ginástica e a educação moral, esta submetida ao poder do Estado; já os atenienses, embora dessem enorme valor ao esporte, insistiam mais na preparação teórica para o exercício da política. Platão chegou mesmo a desenvolver um currículo para preparar seus alunos a serem reis. E, de fato, vinte e três dentre eles chegaram ao poder. Ele mesmo, Platão, queria ser rei. O mundo grego foi muito rico em tendências pedagógicas:

1ª) A de Pitágoras pretendia realizar na vida humana a ordem que se via no universo, a harmonia que a matemática demonstrava;

2ª) A de Isócrates centrava o ato educativo não tanto na reflexão, como queria Platão, mas na linguagem e na retórica;

3ª) A de Xenofontes foi a primeira a pensar na educação da mulher, embora restrita aos conhecimentos caseiros e de interesse do esposo. Partia da

idéia da dignidade humana, conforme ensinara Sócrates. Mas, de longe, Sócrates, Platão e Aristóteles exerceram a maior influência no mundo grego. -

Os gregos eram educados através dos textos de Homero, que ensinavam as virtudes guerreiras, o cavalheirismo, o amor à glória, à honra, à força, à destreza e à valentia. O ideal homérico era ser sempre o melhor

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e consertar-se aos outros. Para isso, era preciso imitar os heróis, rivalizar. Ainda hoje, nossos veículos de comunicação, manifestando essa herança, procuram glorificar sobretudo os heróis combatentes, dando sinal de que a educação militar e cívica repressiva ainda esta está presente. Essa exaltada sobretudo pelo nazismo e pelo fascismo. Essa educação totalitária sacrificava, principalmente em Esparta, todos os interesses ao interesse do Estado, que exigia devotamento até o sa~1uø~cio supremo. Uma sociedade guerreira como a espartana só podia exigir das mulheres que

perdessem seus traços femininos: tinham de ser mães fecundas de filhos vigorosos. As mães possuíam corpos enrijecidos pelos exercícios físicos. Por outro lado, se desenvolvia a atração afetiva entre os homens: a pederastia era uma prática amplamente difundida. O humanismo ateniense pautava-se pela supremacia de outros valores, já que em suas escolas, mesmo aristocráticas, as maiores disputas não eram físicas mas intelectuais - buscava-se o conhecimento da verdade, do belo e do bem. Platão sonhava com uma república amplamente democrática, dentro dos limites da concepção de democracia de sua época, onde a educação tinha um papel fundamental. É curioso saber que Platão pretendia uma educação municipal, para evitar as pretensões totalitárias. Assim, o ensino se submeteria ao

controle o mais próximo possível da comunidade. Todo ensino deveria ser público. A escola primária destinava-se a ensinar os rudimentos: leitura do alfabeto, escrita e cômputo. Os estudos secundários compreendiam a educação física, a artística, os estudos literários e científicos. A educação física compreendia principalmente a corrida a pé, o salto em distância, o lançamento do disco e do dardo, a luta, o boxe, o pancrácio e a ginástica. A educação artística incluía o desenho, o domínio instrumental da lira, o canto e o coral, a música e a dança. Os estudos literários compreendiam o estudo das obras clássicas, principalmente de Homero, a filologia (leitura, recitação e interpretação do texto), a gramática e os exercícios práticos de redação. Os estudos científicos apresentavam a matemática, a geometria, a aritmética, a astronomia. No ensino superior prevalecia o estudo da retórica e da filosofia. A retórica estudava as leis do bem falar, baseadas numa tríplice operação: a) procurar o que se vai dizer ou escrever; b) pôr em certa ordem as idéias assim encontradas; c) procurar os termos mais apropriados para exprimir essas idéias. Daí o fato de a retórica dividir-se tradicionalmente em três partes: a invenção, a disposição e a alocução.

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Os estudos da filosofia compreendiam, em geral, seis tratados a lógica, a cosmologia, a metafísica, a ética, a política, a teodicéia. O ideal da cultura aristocrática grega não incluía a formação para o trabalho: o espírito devia permanecer livre para criar.

A IMPOTÊNCIA DA EDUCAÇÃO

Donde vem que tantos homens de méritos tenham filhos medíocres? Eu vou te explicar. A coisa nada tem de extraordinário, se considerares o que já disse antes com razão, que, nesta matéria, a virtude, para que uma cidade possa subsistir, consistiria em não ter ignorantes. Se esta afirmação é verdadeira (e ela o é) no mais alto grau, considera, segundo teu parecer, qualquer outra matéria de exercício ou de saber. Suponhamos que a cidade não pudesse subsistir a não ser que fôssemos todos flautistas, cada um na medida em que fosse capaz; que esta arte fosse também ensinada por todos e para todos publicamente e, em particular, que se castigasse quem tocasse mal, e que não se recusasse este ensinamento a ninguém, da mesma forma que hoje a justiça e as leis são ensinadas a todos sem reserva e sem mistério, diferentemente dos outros misteres -

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porque nós no prestamos serviços reciprocamente, imagino por nosso respeito da justiça e da virtude, e é por isto que todos estamos sempre prontos a revelar e a ensinar a justiça e as leis, bem nestas condições, a supor que tivéssemos o empenho mais vivo de aprender e de ensinar uns aos outros a arte de tocar flauta, por acaso, Sócrates, disse-me ele, que se veria freqüentemente os filhos de bons flautistas levarem vantagem sobre os dos maus? Quanto a mim não estou convencido, mas penso que aquele que tivesse filho melhor dotado para a flauta vê-lo-ia distinguir-se, enquanto que o filho mal dotado permaneceria obscuro; poderia acontecer, freqüentemente, que o filho do bom flautista se revelasse medíocre e que o do medíocre viesse a ser bom flautista; mas, enfim, todos, indistintamente, teriam qualquer valor em comparação aos profanos e aos que são absolutamente ignorantes na arte de tocar flauta. Pensa desta forma, que hoje o homem que te parece o mais injusto numa sociedade submetida às leis seria um justo e um artista nesta matéria, se o fôssemos comparar aos homens que não tiveram nem educação, nem tribunais, nem leis, nem constrangimento de qualquer espécie para forçá-los alguma vez a tomar cuidado da virtude, homens que fossem verdadeiros selvagens (...) Todo o mundo ensina a virtude na proporção do melhor que possa; e te parece que não há ninguém que a possa ensinar; é como se procurasses o mestre que nos ensinou a falar

grego: tu não encontrarias; e não te sairias melhor, imagino, se procurasses qual mestre poderia ensinar aos filhos de nossos artesãos o trabalho de seu pai, quando se sabe que eles aprenderam este mister do próprio pai, na medida em que este lhe podia ter ensinado, e seus amigos ocupados no mesmo trabalho, de maneira que eles não têm necessidade de um outro mestre. Segundo meu ponto de vista, não é fácil, Sócrates, indicar um mestre para eles, enquanto seria facílimo para pessoas alheias a toda experiência; assim, também, da moralidade e de qualquer outra qualidade análoga. É o que acontece com a virtude e tudo o mais: por pouco que um homem supere os outros na arte de nos conduzir para ela, devemos nos declarar satisfeitos. Creio ser um destes, e poder melhor que qualquer outro prestar o serviço de tomar os homens perfeitamente educados, e merecer, por isto, o salário que peço, ou mais ainda, segundo a vontade de meus discípulos. Assim eu estabeleci da seguinte maneira a regulamentação do meu salário: quando um discípulo acabou de receber minhas lições, ele me paga o preço pedido por mim, caso ele o deseje fazer; do contrário, ele declara num templo, sob a fé dum juramento, o preço que acha justo ao meu ensinamento, e não me dará mais nada além. Eis aí, Sócrates, o mito e o discurso, segundo os quais eu desejei demonstrar que a virtude podia ser ensinada e que tal era a opinião dos atenienses, e que, por outro lado, não era de nenhuma maneira estranho que um homem virtuoso tivesse filhos medíocres ou que um pai medíocre tivesse filhos virtuosos: não vemos que os filhos de Policleto,

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que têm a mesma idade que Xantipo e Paralos aqui presentes, não estão à altura de seu pai, e que a mesma coisa a filhos de artistas? Quanto a estes jovens, não devemos apressar-nos ainda não deram tudo quanto prometem, porque são jovens.



1.Para Sócrates, qual era o início do verdadeiro saber? 2.Faça uma pesquisa sobre o que significavam "ironia e maiêutica" no método socrático.

Texto: ALEGORIA DA CAVERNA

- Vamos imaginar - disse Sócrates - que existem pessoas morando numa caverna subterrânea. A abertura dessa caverna se abre em toda a sua largura e por ela entra a luz. Os moradores estão aí desde sua infância, presos por correntes nas pernas

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e no pescoço. Assim, eles não conseguem mover-se nem virar a cabeça para trás. Só podem vero o que se passa á sua frente. A luz que chega ao fundo da caverna vem de uma fogueira que fica sobre um monte atrás de prisioneiros, lá fora. Pois bem, entre esse fogo e os moradores da caverna, imagine que existe um caminho situado num nível mais elevado. Ao lado dessa passagem se ergue um pequeno muro, semelhante ao tabique atrás do qual os apresentadores de fantoches costumam se colocar para exibir seus bonecos ao público. - Estou vendo - disse Glauco. - Agora imagine que por esse caminho, ao longo do muro, as pessoas transportam sobre a cabeça objetos de todos os tipos. Levam estatuetas de figuras

humanas e de animais, feitas de pedra, de madeira ou qualquer outro material. Naturalmente, os homens que as carregam vão conversando. - Acho tudo isso muito esquisito. Esses prisioneiros que você inventou são muito estranhos - disse Glauco. - Pois eles se parecem conosco - comentou Sócrates. - Agora me diga: numa situação como esta, é possível que as pessoas tenham observado, a seu próprio respeito e dos companheiros, outra coisa diferente das sombras que o fogo projeta na parede à sua frente? - De fato - disse Glauco-, com a cabeça imobilizada por toda a vida só podem mesmo ver as sombras! - O que você acha - perguntou Sócrates - que aconteceria a respeito dos objetos que passam acima da altura do muro, do lado de fora? - A mesma coisa, ora! Os prisioneiros só conseguem conhecer suas sombras! - Se eles pudessem conversar entre si, iriam concordar que eram objetos

reais as sombras que estavam vendo, não é? Além do mais, quando alguém falasse lá em cima, os prisioneiros iriam pensar que os sons, fazendo eco dentro da caverna, eram emitidos pelas sombras projetadas. Portanto - prosseguiu Sócrates - os moradores daquele lugar só podem achar que são verdadeiras as sombras dos objetos fabricados.

- E claro. - Pense agora no que aconteceria se os homens fossem libertados das cadeias e da ilusão em que vivem envolvidos. Se libertassem um dos presos e o forçassem imediatamente a se levantar e a olhar para trás, a caminhar dentro da

caverna e a olhar para a luz. Ofuscado, ele sofreria, não conseguindo perceber os objetos dos quais só conhecera assombras. Que comentário você acha que ele faria, se lhe fosse dito que tudo o que observara até aquele momento não passava de falsa aparência e que, a partir de agora, mais perto da realidade e dos objetos reais, poderia ver com maior perfeição? Não lhe parece que ficaria confuso se, depois de lhe apontarem cada uma das coisas que

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passam ao longo do muro, insistissem em que respondesse o daqueles objetos? Você não acha que ele diria que são mais verdadeiro do que as de agora? - Sim - disse Glauco -, o que ele vira antes lhe pareceria muito mais - E se forçassem nosso libertado a encarar a própria luz? Você não acha olhos doeriam e que, voltando as costas, ele fugiria para junto daquelas coisas capaz de olhar, pensando que elas são mais reais do que os objetos que lhe - mostrando? - Exatamente - concordou Glauco. - Suponha então continuou Sócrates - que o homem fosse empurrado da

caverna, forçado a escalar a subida escarpada e que só fosse solto quando chegasse ao ar livre. Ele ficaria aflito e irritado porque o arrastaram daquela maneira, não é mesmo? Ali em cima, ofuscado pela luz do Sol, você acha que ele conseguiria distinguir uma das coisas que agora nós chamamos verdadeiras? - Não conseguiria, pelo menos de imediato. - Penso que ele precisaria habituar-se para começar a olhar as coisas que na região superior. A princípio, veria melhoras sombras. Em seguida, refletida nas águas perceberia a imagem dos homens e dos outros seres. Só mais tarde é que conse~4 distinguir os próprios seres. Depois de passar por esta experiência, durante a noite ele teria condições de contemplar o céu, a luz dos corpos celestes e a lua, com muito facilidade do que o sol e a luz do dia.

- Não poderia ser de outro jeito. - Acredito que, finalmente, ele seria capaz de olhar para o sol diretamente, e mais refletido na superfície da água ou seus raios iluminando coisas distantes do próprio astro. Ele passaria a ver o sol, lá no céu, tal como ele é. - Também acho - disse Glauco. - A partir daí, raciocinando, o homem libertado tiraria a conclusão de que produz as estações e os anos, que governa todas as coisas visíveis. Ele perceberia que, num certo sentido, o sol é a causa de tudo o que ele e seus companheiros viam caverna. Você também não acha que, lembrando-se da morada antiga, dos conhecimentos que lá se produzem e dos seus antigos companheiros de prisão, ele lamentaria a situação destes e se alegraria com a mudança? - Decerto que sim. - Suponhamos que os prisioneiros concedessem honras e elogios entre si.

atribuiriam recompensas para o mais esperto, aquele que fosse capaz de prever passagem das sombras, lembrando-se da seqüência em que elas costumam aparecer Você acha, Glauco, que o homem libertado sentiria ciúme dessas distinções e teria inveja

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dos prisioneiros que fossem mais honrados e poderosos? Pelo contrário, como o personagem de Homero, ele não preferia "ser apenas um peão d arado a serviço de um pobre lavrador" serviço de sofrer tudo no mundo, a pensar como pensava antes e voltar a forma que você, ele preferiria sofrer tudo a viver desta maneira. - o que o homem liberto voltasse à caverna e se sentasse em seu antigo do sol, ele não ficaria temporariamente cego em meio às trevas? - Sem dúvida. - Enquanto ainda estivesse com a vista confusa, ele não provocaria risos dos que permaneceram presos na caverna se tivesse que entrar em competição eles acerca da avaliação das sombras? Os prisioneiros não diriam que a subida inundo exterior lhe prejudicara a vista e que, portanto, não valia a pena chegar até lá? Você não acha que, se pudessem, eles matariam quem tentasse libertá-los e conduzi-los até o alto? - Com certeza - Toda esta história, caro Glauco, é uma comparação entre o que a vista nos revela normalmente e o que se vê na caverna; entre a luz do fogo que ilumina o interior da prisão e a ação do sol, entre a subida para o lado de fora da caverna, junto com a contemplação do que lá existe, e entre o caminho da alma em sua ascensão ao inteligível. Eis aplicação da alegoria: no Mundo das Idéias, a idéia do Bem é aquela que se vê por último a muito custo. Mas, uma vez contemplada, esta idéia se apresenta ao raciocínio como sendo, em definitivo, a causa de toda a retidão e de toda a beleza. No mundo



visível, ela 4Wvel, ela é a geradora da luz e do soberano da luz. No Mundo das Idéias, a própria idéia do Bem e que dá origem à verdade e à inteligência. Considero que é necessário contempla, caso se queira agir com sabedoria, tanto na vida particular como na política.

RIBEIRO, Jorge Cláudio, Platão, ousara utopia. São Paulo,

Análise E REFLEXÃO

1. De acordo com latão, qual é a tarefa central de toda educação?

2. Explique o que latão pensava sobre a democracia.

3. Anote as principais conclusões a que você chegou lendo Alegoria da caverna e discuta-as com seus companheiros.

Pág. 38 Caráter dos jovens

Os jovens, mercê do caráter, são propensos aos desejos e capazes de fazer o que desejam. Entre os desejos do corpo, a principal inclinação é para os desejos amorosos, e não conseguem dominá-los. São inconstantes e depressa se enfastiam do que desejaram; se desejam intensamente, depressa cessam de desejar. Suas vontades são violentas, mas sem duração, exatamente como os acessos de fome e de sede dos doentes. São coléricos, irritadiços e geralmente deixam-se arrastar por impulsos. Domina- os a fogosidade; porque são ambiciosos, não toleram ser desprezados, e indignam- se quando se julgam vítimas de injustiça. Gostam das honras, mais ainda da vitória, pois a juventude é ávida de superioridade, e a vitória constitui uma espécie de superioridade. (...) A índole deles é antes boa do que má, por não terem ainda presenciado muitas ações más. São também crédulos, porque não foram todavia vítimas de muitos logros. Estão cheios de sorridentes esperanças; assemelham-se aos que beberam muito vinho, sentem calor como estes, mas por efeito de seu natural e porque não suportaram ainda muitos contratempos. Vivem, a maior parte do tempo, de

esperança, porque esta se refere ao porvir, e a recordação, ao passado; e para a juventude o porvir é longo e o passado, curto. Nos primeiros momentos da vida, não nos recordamos de coisa alguma, mas podemos tudo esperar. É fácil enganar os jovens, pela razão que - dissemos, pois esperam facilmente.

Pág. 39 São mais corajosos que outras idades, por mais prontos em se encolerizarem e propensos a aguardar um êxito feliz de suas aventuras; a cólera faz que ignorem o error, e a esperança incute-lhes confiança; com efeito, quando se está encolerizado, não se teme coisa alguma e o fato de esperar uma

vantagem inspira confiança. São igualmente levados a se envergonhar, pois não suspeitam que haja algo de belo fora das prescrições da lei que foi a única educadora deles. São magnânimos, porque a vida ainda não os envileceu nem tiveram a experiência das necessidades da existência. Aliás, julgar-se digno de altos feitos, esta é a magnanimidade, este o caráter de quem concebe amplas esperanças. Na ação preferem o belo ao útil, porque na vida deixam-se guiar mais por seu caráter do que pelo cálculo; ora, o cálculo relaciona-se com o útil, a virtude, com o belo. Mais do que acontece em outras idades, gostam dos amigos e companheiros; porque sentem prazer em viver em sociedade e não estão ainda habituados a julgar as coisas pelo critério do interesse, nem por conseguinte a avaliar os amigos pelo mesmo critério. Cometem faltas? Estas são mais graves e mais violentas, (...) pois em tudo põem a nota do excesso; amam em excesso, odeiam em excesso, e do mesmo modo se comportam em todas as outras ocasiões. Pensam que sabem tudo e defendem com valentia suas opiniões, o que é ainda uma das coisas de seus excessos em todas as coisas. As injustiças que cometem são inspiradas pelo descomedimento, não pela maldade. São compassivos, porque supõem que todos os homens são virtuosos e melhores do que realmente são. Sua inocência serve-lhes de bitola para aferirem a inocência dos outros, imaginando sempre que estes recebem tratamento imerecido. Enfim, gostam de rir, e daí o serem levados a gracejar, porque o gracejo é uma espécie de insolência polida. Este é o caráter da juventude.



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