A educação é a prática mais humana, considerando-se a profundidade e a amplitude de sua influência na existência dos homens



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Hoje o pós-modernismo não é considerado apenas um modismo -no cinema, na música, nas artes e no cotidiano - mas um movimento de indagação sobre o futuro. Na verdade, ele não tem uma identidade própria, a não ser como negação do modernismo. Por isso não existe uma definição clara do que é pós-modernismo. Já o multiculturalismo, a ele muitas vezes associado, tem um perfil mais claro e conseqüências mais previsíveis na educação. Entre os elementos reveladores da pós-modernidade está a invasão da tecnologia eletrônica, da automação e da informação, que causam certa perda de identidade nos indivíduos, ou desintegração. A pós-modernidade se caracteriza também pela crise de paradigmas. Faltam referenciais. Nesse sentido, uma educação pós-moderna seria aquela que leva em conta a diversidade cultural, portanto uma educação multicultural. O pós-moderno surge exatamente como uma crítica à modernidade, diante da desilusão causada por uma racionalização que levou o homem moderno à tragédia das guerras e da desumanização. Nega-se o sistema, para se afirmar o indivíduo, o diferente, o atípico. O homem moderno volta-se para a participação com as massas na política, que muitas vezes resultou em guerras e conflitos; já o homem pós-moderno dedica-se ao seu cotidiano, ao seu mundo, envolve-se com as minorias, com pequenas causas, com metas pessoais e de curto prazo. O homem moderno é cimentado no social; o pós-moderno busca a sua afirmação como indivíduo, face à globalização da economia e das comunicações. Por outro lado, o multiculturalismo representa um movimento histórico-social carregado de ambigüidades. Também não poderia deixar de ser polêmica a educação pós-moderna multicultural. Envolvida por esse movimento, ela não pretende ser paralela ou alternativa à educação atual. O que se pretende é transformá-la. Como concepção geral, defende uma educação para todos que respeite a diversidade, as minorias étnicas, a pluralidade de doutrinas, os direitos humanos, eliminando os estereótipos, ampliando o horizonte de conhecimentos e de visões de mundo. As conseqüências para a educação são enormes e ainda não existem estudos conclusivos sobre assunto tão polêmico. A educação pós moderna é crítica. Pretende tesgatar a unidade entre história e sujeito que foi perdida durante as operações modernizadoras de desconstrução da cultura e da educação. Intimamente ligada à cultura, a educação pós-moderna mostra-se multicultural e permanente; não prioriza tanto a apropriação dos conteúdos do saber universal em si mesmos, como faz o funcionalismo moderno,

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mas o processo do conhecimento e suas finalidades. Na verdade, antes de conhecer, o homem está interessado em conhecer. E com esse interesse fundante da educação que se preocupa a teoria da educação pós-moderna. Para ela, o conhecimento tem um caráter prospectivo. O pós-modernismo na educação trabalha mais com o significado do que com o conteúdo, muito mais com a intersubjetividade e a pluralidade do que com a igualdade e a unidade. Não nega os conteúdos. Pelo contrário, trabalha para uma profunda mudança deles na educação, para torná-los essencialmente significativos para o estudante. Trabalhando com a noção de poder local, de pequenos grupos, a educação chamada pós-moderna valoriza o movimento, o imediato, o afetivo, a relação, a intensidade, o envolvimento, a solidariedade, a autogestão, contra os elementos da educação clássica (moderna), que valoriza o conteúdo, a eficiência, a racionalidade, os métodos e as técnicas os instrumentos, enfim, os objetivos e não a finalidade da educação. E, sem dúvida, uma filosofia neo-humanista. Nela encontramos também os temas da alegria, do belo, da esperança, do ambiente saudável, da produção, etc. Em síntese, poderíamos dizer que a educação moderna trabalha com o conceito-chave "igualdade" (buscando eliminar as diferenças) e a educação pós-moderna trabalha com o conceito-chave "eqüidade" (buscando a igualdade sem eliminar a diferença). O pressuposto básico da educação moderna é a hegemon ia, universalização de uma visão de mundo. O pressuposto básico da educação pós-moderna é a autonomia, capacidade de autogoverno de cada cidadão. Assim ela pretende enfrentar o desafio de manter o equilíbrio entre a cultura local, regional, própria de um grupo social ou minoria étnica e uma cultura universal, patrimônio hoje da humanidade. Analisa critica-mente os currículos monoculturais atuais e procura formar criticamente os professores, para que mudem suas atitudes diante



dos alunos mais pobres, diante das minorias culturais ou das culturas em desvantagem social, e elaborem estratégias instrucionais próprias para a educação das camadas populares, procurando, antes de mais nada, compreendê-las na totalidade de' sua cultura e de sua visão do mundo. Para cumprir sua tarefa humanista, a escola precisa mostrar aos alunos que existem outras culturas além da sua, outras perspectivas da vida, outras idéias. A ambição de um livro como este sobre a história das idéias pedagógicas não poderia ser outra: mostrar, num todo histórico a diversidade de teses e de visões que se constitui na riqueza da humanidade. Por isso, a escola tem que ser local, como ponto de partida, mas tem que ser internacional e intercultural, como ponto de chegada.

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A escola moderna, uniformizadora, não foi capaz de construir o universal partindo do particular. Tentou inverter o processo, impondo valores e conteúdos universais sem partir da prática social e cultural do aluno, sem levar em conta a sua identidade e diferença. Um dos fatores do fracasso do nosso sistema educacional está no fato de ele não ter levado em conta a diversidade cultural na construção de uma educação para todos. A autonomia passou a ser um tema fundamental da pedagogia pós-moderna. Mas autonomia da escola não significa isolamento, fechamento numa cultura particular. Escola autônoma significa escola curiosa, ousada, buscando dialogar com todas as culturas e concepções de mundo. Pluralismo não significa ecletismo, um conjunto amorfo de retalhos culturais. Pluralismo significa sobretudo diálogo com todas as culturas, a partir de uma cultura que se abre às demais, e entendimento das especificidades como modos de manifestação e representação da mesma totalidade. Mas a escola sozinha não pode dar conta dessa tarefa. Por isso, ela, numa perspectiva intercultural da educação, alia-se a outras instituições culturais. Daí a necessidade de ser autônoma. Sem autonomia a escola não poderá ser multicultural e cumprir sua nova função social. Ela deve possibilitar a seus alunos o contato com alunos de outras escolas, possibilitar viagens, encontros e toda sorte de projetos, próprios de cada escola, que a constituam num organismo vivo e atuante no seio da própria sociedade. Na verdade, essas idéias não são novas. O novo brota do velho. Se uma educação pós-moderna for possível amanhã será porque hoje, no interior do moderno, no seio de sua crise, os elementos de uma nova educação estão surgindo. O desafio que estamos deixando aos leitores nessa despedida é que tentem identificar o novo no velho e caminhem para a frente, construindo a educação do futuro. Evidentemente, trata-se de um desafio. Não se trata de uma conclusão. São conjecturas que nos devem dar a pensar. "Dar a pensar" a seus leitores, é tudo o que o autor de um livro como este poderia desejar.

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Escrevemos este livro com o intuito de facilitar o acesso às fontes básicas da teoria educacional aos estudantes brasileiros. Por isso entendemos que os livros dos autores citados do corpo do texto devem ser organicamente lidos e estudados, sob a orientação do professor e, quando possível, resenhados e apresentados oralmente aos colegas, a fim de serem discutidos mais amplamente. Durante esses 20 anos em que trabalhamos como professor de filosofia e história da educação, tivemos oportunidade de estudar numerosas obras didáticas da área, muitas das quais foram consultadas para fundamentar nosso livro. Entre elas estão: • História da educação na Antigüidade (Henri-Irénée Marrou), • História geral da pedagogia (Francisco Larroyo), • História da educação (Paul Monroe),

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• História da educação e da pedagogia (Lorenzo Luzuriaga),

• Grandes educadores (Fritz Mãrz),

• História da educação moderna (Frederick Eby),

• História do pensamento educacional (Frederick Mayer),

• Os grandes pedagogistas (Jean Château),

• Tratado das ciências pedagógicas (Maurice Dehesse e Gaston Mialaret). Essas são obras consideradas clássicas e trazem, dentro de uma certa perspectiva da educação, uma grande contribuição. Entretanto, não apresentam a contribuição dos países do Terceiro Mundo ao pensamento pedagógico universal. Mesmo recomendando-as ao leitor, gostaríamos de apresentar uma lista de outras obras que seriam particularmente úteis aos professores e estudantes na elaboração de seus programas de estudos pedagógicos. Eis algumas delas: CHARLOT, Bernard. A mistificação pedagógica: realidades sociais e processo ideológico na teoria da educação. São Paulo, Zahar, 1980. DOMMANGFT, Maurice. Os grandes socialistas e a educação: de Platão a Lênine. Braga, Publicações Europa-América, 1964. FAURE, Edgar. Aprendera ser. São Paulo, Difusão Editorial do) Livro, 1977. FERNANDES, Florestan e outros. Universidade, escola e formação de professores. São) Paulo, Brasiliense, 1984. FISCHMAN, Roseli (org.). Escola brasileira. São Paulo, Atlas, 1987. FREIRE, Paulo) e SuOR, Ira. Medo e ousadia. o cotidiano do pro/àssor São Paulo), Paz e Terra, 1986. Gadotti, Moacir. Pensamento pedagógico brasileiro. São Paulo, Ática, 1987. Giroux, Henry. Teoria crítica e resistência em educação: para além das teorias da reprodução. Petrópolis, Vozes, 1986. MANACORDA, Mano Aligliero. História da educação: da Antigüidade aos nossos dias. São Paulo, Cortez e Autores Associados, 1989. MENDFS, Durmeval Trigueiro (org.). Filosofia da educação brasileira. Rio) de Janeiro, Civilização Brasileira, 1983. NIFL~FN NF C), Henrique. Filosofia da educação. São Paulo, Melhoramentos, 1988. PALÁCIOS, Jesus. La cuestión escolar: críticas alternativas. Barcelona, Laia, 1978. PONCE, Anibal. Educação e luta de classes. São Paulo, Cortez e Autores Associados, 1981.

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REBOUL, Olivier. Filosofia da educação. São Paulo, Melhoramentos, 1974.

SANDFR, Beno. Consenso e conflito. São Paulo, Pioneira, 1984.

SCHMIED-KOWARZLK, Wolfdietrich. Pedagogia dialética: de Aristóteles a Paulo Freire. São Paulo, brasiliense, 1983. SCHWARTZ, Bertrand. A educação, amanhã: um projeto de educaçào permanente. Petnópolis, Vozes, 1976. SEVFRINO, Antonio Joaquim. Filosofia. São Paulo, Cortez, 1992.

SNYDERS, Georges. A alegria da escola. São Paulo, Manole, 1988.

SUCHODOLSKI, Bogdan. A pedagogia e as grandes correntes .filosóficas. Lisboa, Horizonte, 1972. M

OACJR GADO'FFI nasceu em Rodeio (SC), em 1941. Licenciado) em Pedagogia (1967) e em Filosofia (1971), fez mestrado em Filosofia da Educação (PUC-SP, 1973), doutorado em Ciências da Educação (Universidade de Genebra, 1977) e livre-docência (Unicamp, 1986). Em 1991, tornou-se professor titular da Universidade de São Paulo. Foi professor de História e Filosofia da Educação em cursos de Pedagogia e de Pós-graduação em Educação) de diversas instituições, entre elas a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a Universidade Estadual de Campinas e a Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Desde 1988 é professor na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Além da atividade acadêmica, engajou-se em vários projetos teórico-práticos, entre eles: a redefinição

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dos cursos de Pedagogia (1977-1983), a fundação do Centro de Estudos Educação & Sociedade (1978-1982), a reformulação do projeto pedagógico da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1980-1984), a criação do) Fórum de Educação do Estado de São Paulo (1983-1984) e da Fundação Wilson Pinheiro) (1982- 1986). Atuou como assessor técnico da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (1983-1984) e foi chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (1989-1990), na gestão de Paulo Freire. Atualmente é diretor regional para a América Latina da Icea (Associação) Internacional de Educação Comunitária) e membro do Comitê Brasil do SUM (Serviço Universitário Mundial). Publicou numerosos livros nos quais desenvolve uma proposta educacional cujos eixos são a formação crítica do educador e a construção da escola pública popular autônoma, numa perspectiva dialética integradora da educação: 1. Comunicação docente. Prefácio de Georges Gusdorf. São Paulo, Loyola, 1975 (3 edições). 2. A educação contra a educação. Prefácio de Paulo Freire. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1981 (4 edições). Traduzido para o francês. 3. Educação epoder. São) Paulo, Cortez, 1980 (10 edições). No prelo em inglês (Nova York, Suny Press), juntamente com o livro concepção dialética da educação, com o título A pedagogy of praxis. 4. concepção dialética da educação. São Paulo, Cortez, 1983 (7 edições). 5. Dialética do amor paterno. Prefácio de Miguel de Puente e posfácio de Francisca Severino. São Paulo, Cortez, 1985 (6 edições). 6. Educação e compromisso. Campinas, Papirus, 1985 (4 edições). 7. Pedagogia: diálogo e conflito. Em co-autoria com Paulo Freire e Sérgio Guimarães. São Paulo, Cortez, 1985 (4 edições). Traduzido para O espanhol (Buenos Aires, Cinco, 1987), em co-autoria com Isabel Hernandez. 8. Pensamento pedagógico brasileiro. São Paulo, Ática, 1987 (4 edições). 9. Convite à leitura de Paulo Freire. São Paulo, Scipione, 1988. Traduzido para o espanhol (Bogotá, Codeca, 1991), com O) título Paulo Freire: su vida y su obra. No prelo em japonês e em inglês (Nova York, Suny Press), com o título Reading Paulo Freire. 10. Marx: transformar o mundo. São Paulo, FTD, 1989 (2 edições).

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