A educação é a prática mais humana, considerando-se a profundidade e a amplitude de sua influência na existência dos homens



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Mas perguntais novamente, se vamos ter escolas, e temos de tê-las, que utilidade tem ensinar Latim, Grego, Hebraico e outras Artes Liberais? Não basta

ensinar as Escrituras, que são necessárias à salvação, na língua materna? Ao que respondo: Infelizmente, sei que, ai de nós, alemães, permaneceremos para sempre brutos irracionais, como, imerecidamente, somos chamados por nações vizinhas. Mas me pergunto por que não dizemos também: que utilidade têm para nós a seda, o vinho, as especiarias e outros artigos estrangeiros, dado que nós mesmos possuímos uma abundância de vinho, trigo, lã, linho, madeira e pedra nos Estados alemães, não apenas para nossas necessidades, mas também para embelezamento e adorno? Ás línguas e outras Artes Liberais, que não só são inócuas como também um adorno, beneficio e honra maiores que essas coisas, tanto para a compreensão das Sagradas Escrituras quanto para o desempenho do governo civil, estamos dispostos a desprezar; e não estamos dispostos a abrir mão dos artigos estrangeiros que não são nem necessários nem úteis e que, além disso, grandemente nos empobrecem. Não é com justiça que somos chamados de bestas e brutos alemães?

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Na verdade, ainda que as línguas não trouxessem qualquer benefício prático, deveríamos sentir algum interesse por elas como sendo um dom maravilhoso de Deus como qual Ele, agora, abençoou a Alemanha quase que mais que a qualquer outra terra. Não encontramos muitos exemplos de casos em que Satã as tenha protegido rias universidades e claustros; pelo contrário, essas instituições investiram bravamente contra elas, e continuam a fazê-lo. Pois o demônio sentiu o perigo que ameaçaria seu reino caso as línguas fossem estudadas por todos. Dado, porém, que ele não podia impedir totalmente o cultivo das línguas, visa a, pelo menos, confiná-las a limites tão estreitos que, por si mesmas, irão declinar e cair em desuso.



MARTINHO LUTERO. "Carta aos prefeitos e conselheiros de todas as cidades da

Alemanha em prol de escolas cristãs", In MAYER, Frederick. História do pensamento educacional. Rio de Janeiro, Zahar, 1976.

ANÁLISE E REFLEXÃO

1. Faça um resumo das principais teses defendidas por Lutero.

2. Explique esta afirmação de Lutero:

"Em minha opinião não há nenhuma outra ofensa visível que, aos olhos de Deus, seja um fardo tão pesado para o mundo e mereça castigo tão duro quanto a negligência na educação das crianças".

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1. Fim. - Como as artes e as ciências da a teologia e contribuem para a sua perfeita compreensão e aplicação prática e por si mesmas concorrem para o mesmo fim, o professor, as cousas a honra e a glória de Deus, trate-as com a de modo que prepare os seus alunos, sobretudo os nossos, para a teologia e acima de



tudo os estimule ao conhecimento do Criador.

2. Como seguir Aristóteles. - Em questões de alguma importância não se afaste de Aristóteles, a menos que se trate de doutrina oposta à unanimemente

recebida pelas escolas, ou, mais ainda, em contradição com a verdadeira fé. Semelhantes argumentos de Aristóteles ou de outro filósofo, contra a fé, procure, de acordo com as prescrições do Concilio de Latrão, refutar com todo vigor. 3. Autores infensos ao Cristianismo. - Sem muito critério não leia nem cite na aula os intérpretes de Aristóteles infensos ao Cristianismo; e procure que os alunos não lhes cobrem afeição. 4. Averróis. - Por essa mesma razão não reuna em tratado separado as digressões de Averróis (e o mesmo se diga de outros autores semelhantes) e, se alguma cousa boa dele houver de citar, cite-a sem encômios e, quando possível, mostre que hauriu em outra fonte. 5. Não se filiar em seita filosófica. - Não se filie nem a si nem a seus alunos em seita alguma filosófica como a dos averroístas, dos alexandristas e semelhantes; nem dissimule os erros de Averróis, de Alexandre e outros, antes tome daí ensejo para com mais vigor diminuir-lhes a autoridade. 6. Santo Tomás. - De Santo Tomás, pelo contrário, fale sempre com

respeito; seguindo-o de boa vontade todas as vezes que possível, dele divergindo, com pesar e reverência, quando não for plausível a sua opinião. 7. Curso de filosofia de três anos. - Ensine todo o curso de filosofia em não menos de três anos, com duas horas diárias, uma pela manhã outra pela tarde, a não ser que em alguma universidade se oponham os seus estatutos. 8. Quando se deve concluir. - Por esta razão não se conclua o curso

antes que as férias do fim do ano tenham chegado ou estejam muito próximas. (...) 12. Estima do texto de Aristóteles. - Ponha toda a diligência em interpretar bem o texto de Aristóteles; e não dedique menos esforço à interpretação do que às próprias questões. Aos seus alunos persuada que será incompleta e mutilada a filosofia dos que ao estudo do texto não ligarem grande importância.

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13. Que textos se devem explicar e como. - Todas as vezes que deparar com textos célebres e muitas vezes citados nas disputas, examine-os cuidadosamente, conferindo entre si as interpretações mais notáveis a fim de que, do exame do contexto, da força dos termos gregos, da comparação com outros textos, da autoridade dos intérpretes mais insignes e do peso das razões, se veja qual deve ser preferida. Examinem-se por fim as objeções que, se por um lado não devem esmiuçar demasiadamente, por outro, não se deverão omitir, se têm certa importância.

14. Escolha a ordem das questões. - Escolha com muito cuidado as questões; as que não se prendem imediatamente ao pensamento principal de Aristóteles, mas derivam ocasionalmente de algum axioma por ele referido de passo, se em

outros livros se tratam expressamente, para eles as remeta; do contrário explique- as logo em seguida ao que as sugerir. 15. As questões a serem introduzidas entre os textos. As questões que por si pertencem à matéria da qual disputa Aristóteles não se tratem senão depois de explicados todos os textos que ao assunto se referem, no caso em que se

possam expor em uma ou duas lições. Quando, porém, se estendam mais como são os relativos aos princípios, às causas, ao movimento, então nem se espraie em longas dissertações nem antes das questões se explique todo o texto de Aristóteles, mas de tal modo com elas se combine que depois de uma série de textos se introduzam as questões com eles relacionadas. 16. Repetição na aula. - No fim da aula, alguns alunos, cerca de dez, repitam entre si por meia hora o que ouviram e um dos condiscípulos, da Companhia, se possível, presida à decúria. 17. Disputas mensais. - Cada mês haja uma disputa na qual arguam não menos de três, de manhã, e outros tantos, de tarde; o primeiro, durante uma hora, os outros, durante três quartos de hora. Pela manhã, em primeiro lugar dispute um teólogo (se houver teólogos em número suficiente) contra um metafísico, um metafísico contra um físico, um físico contra um lógico; de tarde, porém, metafísico contra metafísico, físico contra físico, lógico contra lógico. Assim também pela manhã um metafísico e pela tarde um físico poderão demonstrar uma ou outra tese breve e filosoficamente. 18. Disputas durante o estudo da lógica. - Enquanto o professor explica o resumo da lógica, nem ele nem os alunos assistama estas disputas. Mais: na primeira e na segunda semana aproximadamente não deverão os lógicos disputar, contentando-se com a simples exposição da matéria; em seguida, poderão na aula defender algumas teses aos sábados. 19. Disputas solenes. - Onde só houveram professor de filosofia, organize algumas disputas mais solenes três ou quatro vezes no ano, em dia festivo ou feriado, e dê-lhes pág. 75

certo brilho e a despertar um entusiasmo proveitoso aos nossos estudos.

20. Rigor na forma da disputa. - Desde o início da lógica se exercitem os alunos de modo que de nada se envergonhem tanto na disputa como de se apartar do rigor da forma; e cousa alguma deles exija o professor com mais severidade do que a observância das leis e ordem da argumentação. Por isto o que responde repita as proposições acrescentando "nego" ou "concedo" "a maior, a menor, a conseqüência". Algumas vezes poderá também distinguir; raras, porém, acrescente explicações ou razões, sobretudo quando lhe não são pedidas.

FRANCA, Leonel. O método pedagógico dos jesuítas. Rio de Janeiro, Agir, 1952, p.158-163

ANÁLISE E REFLEXAO

Escreva sobre a Companhia de Jesus enfocando principalmente:

- o objetivo de sua fundação;

- a pedagogia que propunha através da Ratio Studiorum;

- a classe social a que pretendia educar;

- os motivos de sua influência no mundo.

Pág. 76 Os séculos XVI e XVII assistiram a ascensão de uma nova e poderosa classe que se opunha ao modo de produção feudal. Esse estrato da sociedade impulsionou, modificou e

concentrou novos meios de produção. Iniciou o sistema de cooperação, precursor do trabalho em série do século XX. Dessa forma, a produção deixou de se apresentar em atos isolados para se constituir num esforço coletivo. O homem lançou-se ao domínio da natureza desenvolvendo técnicas, artes, estudos - matemática, astronomia, ciências físicas, geografia, medicina, biologia. Tudo o que fora ensinado até então era considerado suspeito. GIORDANO BRUNO (1548-1600) desenvolveu a astronomia; GALILEU GAILILEI (1564- 1642) construiu um telescópio e descobriu os satélites de Júpiter e a lei da queda dos corpos; WILLIAM HARVEY (1578-1657) constatou a circulação do sangue; FRANCIS BACON (1561-1626), conselheiro da Rainha Isabel da Inglaterra, deu um novo ordenamento às ciências, propôs a distinção entre a fé e a razão para não se cair nos preconceitos religiosos que distorcem a compreensão da realidade; criou o método indutivo de investigação, opondo-o ao método aristotélico de dedução. Bacon pode ser considerado o fundador do método científico moderno. RENE DESCARTES (1596-1650) escreveu o famoso Discurso do método(1637)

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para o estudo e. a~ pesquisa; criticou o ensino humanista, e propôs a matemática como modelo de ciência perfeita.

Descartes assentou em posição dualista a questão ontológica da filosofia, a e o ser. Convencido do potencial da razão humana, propôs-se a criar um método novo de conhecimento do mundo e a substituir a fé pela razão e pela ciência. Tornou-se assim o pai do racionalismo. Sua filosofia esforçou-se por conciliar a religião e a ciência. Sofreu a influência da ideologia burguesa do século XVII, que refletia, ao lado das tendências progressistas da classe em ascensão na França, o temor das classes populares. No Discurso do método, Descartes apresenta assim os quatro grandes princípios do seu método científico: 1º) O primeiro era o de jamais acolher alguma coisa como verdadeira que eu não conhecesse evidentemente como tal; isto é, de evitar, cuidadosamente, a precipitação e a prevenção, e de nada incluir em meus juízos que não se apresentasse tão clara e tão distintamente a meu espírito, que eu não tivesse nenhuma ocasião de pô-lo em dúvida. 2º) O segundo, o de dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas quantas possíveis e quantas necessárias fossem para melhor resolvê-las. 3º) O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros. 4º) E o último, o de fazer em toda parte enumerações tão completas e revisões tão gerais, que eu tivesse a certeza de nada omitir*. Descartes, o pai da filosofia moderna, escreveu sua obra principal em francês, a língua popular, possibilitando o acesso de maior número de pessoas. Até então, o latim medieval representava a língua da religião, da filosofia, da diplomacia, da literatura. O comércio já se utilizava das novas línguas vernáculas (italiano, espanhol, holandês, francês, inglês e alemão). O século XVI assistiu a uma grande revolução lingüística: exigia-se dos educadores o bilingüismo: o latim como língua culta e o vernáculo como língua popular. A Igreja percebeu logo a importância desse conflito, exigindo, através do Concílio de Trento (1562), que as pregações ocorressem em vernáculo.

rodapé * DESCARTES. Os pensadores. São Paulo, Abril, 1983.

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Vinte anos depois da publicação do Discurso do método, JOÂ(>Mt106 COMÊNIO (1592- 1670) escreveu a Didática magna (1657), considerada como método pedagógico para ensinar com rapidez, economia de tempo e sem fadiga. Ao invés de ensinar palavras, "sombras das coisas", dizia Comênio, a escola deve ensinar o conhecimento das coisas. O pensamento pedagógico moderno caracteriza-se pelo realismo. JOHN LOCKE (1632-1704) perguntava-se de que serviria o latim para os homens que vão trabalhar nas fábricas. Talvez fosse melhor ensinar mecânica e cálculo. Mas as classes dirigentes continuavam aprendendo latim e grego: um "bom cidadão" deveria recitar algum verso de Horácio ou Ovídio aos ouvidos apaixonados de sua namorada. As humanidades continuavam fazendo parte da educação da nobreza e do clero. Locke, em seu Ensaio sobre o entendimento humano, combateu o inatismo antepondo a idéia da experiência sensorial: nada existe em nossa mente que não tenha sua origem nos sentidos.

A pedagogia realista insurgiu-se contra o formalismo humanista pregando a superioridade do domínio do mundo exterior sobre o domínio do mundo

interior, a supremacia das coisas sobre as palavras. Desenvolveu a paixão pela razão (Descartes) e o estudo da natureza (Bacon). De humanista, a educação torna- se cientifica. O conhecimento só possuía valor quando preparava para a vida e para a ação. O surto das ciências naturais, da física, da química, da biologia, suscitou interesse pelos estudos científicos e o abandono progressivo dos estudos de autores clássicos e das línguas da cultura greco-latina. Até a moral e a política deveriam ser modeladas pelas ciências da natureza. A educação não era mais considerada um meio para aperfeiçoar o homem. A educação e a ciência eram consideradas um fim em si mesmo. O cristianismo afirmava que era preciso saber para amar (Pascal). Ao contrário, dizia Bacon, saber é poder sobretudo poder sobre a natureza. Bacon divide as ciências em: ciência da memória ou ciência histórica; ciência da imaginação, ou poética; e ciência da razão ou filosófica. Locke empresta à educação uma importância extraordinária. A criança, ao nascer, era, segundo ele, uma tabula rasa, um papel em branco sobre o qual o professor podia tudo escrever. João Amos Comênio é considerado o grande educador e pedagogo moderno e um dos maiores reformadores sociais de sua época. Foi o primeiro a propor um

sistema articulado de ensino, reconhecendo o igual direito de todos os homens ao saber. Para ele, a educação deveria ser permanente, isto é, acontecer durante toda a vida humana. Afirmava que

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a educação do homem nunca termina porque nós sempre estamos sendo homens e, portanto, estamos sempre nos formando. Segundo Comênio, a organização do sistema educacional deveria compreender 24 anos, correspondendo a quatro tipos de escolas: a escola materna, dos O aos 6 anos; a escola elementar ou vernácula, dos 6 aos 12 anos; a escola latina ou o ginásio, dos 12 aos 18; e a academia ou universidade, dos 18 aos 24 anos. Em cada família devia existir uma escola materna; em cada município ou aldeia uma escola primária; em cada cidade um ginásio e em cada capital uma universidade.



O ensino deveria ser unificado, isto é, todas as escolas deveriam ser

articuladas. Segundo ele, seriam assim distribuídas: a escola materna

cultivaria os sentidos e ensinaria a criança a falar; a escola elementar desenvolveria a língua materna, a leitura e a escrita, incentivando a imaginação e a memória, além do canto, das ciências sociais e da aritmética. A escola latina se destinaria sobretudo ao estudo das ciências. Para os estudos universitários recomendava trabalhos práticos e viagens. Aí se formariam os guias espirituais e os funcionários. A academia só deveriam ter acesso os mais capazes. Como se vê, apesar dos avanços, a educação das classes populares e a democratização do ensino ainda não se colocavam como questão central. Aceitava- se facilmente a divisão entre o trabalho intelectual e o trabalho manual, resultado da própria divisão social. Para as classes dominantes o ideal era a formação do galant homme, que almejava a conquista de uma posição relevante nas cortes. Daí terem na época enorme desenvolvimento as academias cavalheirescas. Os grandes educadores da ocasião eram na verdade clérigos ou preceptores de príncipes e nobres. Essa educação nobiliária procurava desenvolver a curiosidade, a instrução atraente e diversificada através de historietas e fábulas com finalidade moral e religiosa. "Ser honesto, sábio, ter bom gosto e espírito nobre e galanteador", eis em síntese a educação da classe dominante, composta pelo clero e pela nobreza. Já no século XVII surge a luta das camadas populares pelo acesso à escola. Instigada pelos novos intelectuais iluministas e por novas ordens religiosas, a classe trabalhadora, em formação; podia e devia ter um papel na mudança social. O acesso à formação tornou-se essencial para articular seus interesses e elaborar sua própria cultura de resistência. Entre os protestantes, os metodistas, por exemplo, impulsionaram as escolas dominicais, que, embora pretendessem utilizar a escola como veículo de formação religiosa, possibilitavam o acesso de crianças pobres

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e necessitadas ao saber. Alguns principados alemães providenciaram legislação específica da escola (Weimar, 1619). Criaram-se bibliotecas públicas, também no século XVII. No século seguinte surgem as bibliotecas circulantes. Ao contrário da ordem dos jesuítas, surgiram várias ordens religiosas católicas que se dedicavam á educação popular: a congregação dos oratorianos fundada por FILIPE NÉRI (1515-1595), a Sociedade dos Irmãos das Escolas Cristãs, fundada por JEAN BAPTISTE DE LA SALLE (1651-1719), etc. Muitas dessas escolas ofereciam ensino inteiramente gratuito e na forma de internato. Tratava-se, contudo, de uma educação puramente filantrópica e assistencialista. Esses dois modelos de educação, o primeiro preponderantemente real e público e o segundo religioso e privado, foram exportados para as colônias: para a América britânica o modelo das escolas dominicais protestantes; para a América espanhola e portuguesa as escolas católicas.

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OS NOVE PRINCÍPIOS

1º) A NATUREZA observa um ritmos adequado. Por Exemplo; um pássaro que deseja multiplicar sua espécie não o faz no inverno, quando tudo está rígido de frio, nem no verão, quando tudo está queimado e murcho pelo calor; também não escolhe o outono, quando a força vital de todas as criaturas declina com os raios sempre mais fracos do Sol e um novo inverno de aparência hostil se aproxima, mas escolhe a primavera, quando o Sol devolve vida e força para todos. Aqui, também, o processo consiste em vários estágios. Enquanto ainda faz frio, o pássaro forma os ovos e os aquece em seu corpo, onde estão protegidos do frio; quando o ar fica mais quente, ele os põe no ninho, mas não os termina de chocar até chegar a estação quente, para que os pássaros novos possam acostumar-se à luz e ao calor gradualmente. Em oposição frontal a este princípio, comete-se um erro duplo nas escolas. 1. O tempo correto para exercícios mentais não é escolhido. 2.Os exercícios não são divididos de forma apropriada, de modo que todo progresso possa ser feito através de vários estágios necessários, sem qualquer omissão. Enquanto o menino ainda é criança, não pode ser ensinado, porque as raízes de sua compreensão ainda se encontram muito abaixo da superfície. Assim que envelhece, é tarde demais para ensiná-lo, porque o intelecto e a memória já estão falhando... Concluímos, por isso, que: 1. A educação dos homens deve começar na primavera da vida, isto é, na meninice (pois a meninice é o equivalente da primavera, a juventude do verão, a idade adulta do outono e a velhice do inverno). 2. As horas matinais são as mais adequadas ao estudo (pois também aqui a manhã é o equivalente da primavera, o meio-dia do verão, a tarde do outono e a noite do inverno). 3. Todos os assuntos a serem aprendidos devem ser organizados de modo a

adequar- se á idade dos estudantes, para que não se lhes dê para aprender coisa alguma que esteja além de sua compreensão. 2º) A natureza prepara o material antes de começara dar-lhe forma. Por exemplo: o pássaro que deseja produzir uma criatura semelhante a ele mesmo concebe, em primeiro lugar, o embrião, de uma gota de seu sangue; em seguida prepara o ninho onde porá os ovos. Por isso, é necessário: 1. Que os livros e materiais necessários ao ensino sejam mantidos à mão. 2. Que a compreensão seja primeiro ensinada quanto a objetos, e depois ensinada a sua expressão em linguagem.

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3. Que a língua seja aprendida de uma gramática, mas de autores apropriados. 4. Que o conhecimento das coisas preceda o conhecimento de suas combinações. 5. E que os exemplos venham antes das regras. 3º) A natureza escolhe um objeto adequado sobre o qual irá agir, ou

primeiro submete um deles a um tratamento apropriado para torná-lo adequado. Por exemplo: um pássaro não coloca nenhum objeto no ninho onde está, a não ser um objeto de tal espécie que nele se possam chocar os filhotes; isto é, um ovo. Se cai uma pedrinha no ninho, ou qualquer outra coisa, o pássaro a joga fora, por ser inútil. Mas, quando ocorre o processo da choca, o pássaro aquece o material contido no ovo e cuida dele até que o filhote saia da casca. As escolas violam esse princípio não porque incluam os que têm intelecto fraco (pois, em nossa opinião, todos os jovens devem ser admitidos nas escolas), mas porque: 1. Essas plantas novas não estão transplantadas para o jardim, isto é, não são inteiramente confiadas às escolas, de modo que ninguém que vá ser treinado para ser um homem tenha permissão de deixar o local de trabalho até que seu treinamento esteja completo. 2 Geralmente se faz a tentativa de enxertar o enxerto mais nobre do conhecimento, a virtude e a piedade, cedo demais, antes que o próprio caule tenha criado raízes, isto é, antes de se haver excitado o desejo de

aprender naqueles que não têm qualquer tendência natural nesse sentido. 3. Os galhos ladrões, ou aqueles que sugam a raiz, não são removidos antes do enxerto; isto é, as mentes não estão libertas de todas as tendências ociosas por estarem habituadas à disciplina e à ordem. Por isso, é desejável: 1. Que todos os que entram para a escola perseverem em seus estudos. 2. Que, antes de se introduzir qualquer estudo especial, a mente do estudante seja preparada para tanto, e tomada receptiva. 3. Que todos os obstáculos sejam removidos do caminho das escolas. "Pois de nada adianta dar preceitos", diz Sêneca, "a menos que os obstáculos que existem no caminho sejam removidos". 4º) A natureza não é confusa em suas operações, mas em seu progresso avança distintamente de um ponto a outro. Devemos adiar o estudo do Grego até que o Latim esteja dominado, pois é impossível concentrar a mente em qualquer coisa, quando ela tem de ocupar-se de várias coisas ao mesmo tempo. Aquele grande homem, José Escalígero, tinha muita consciência disso. Conta- se a seu respeito que (talvez por conselho de seu pai) ele nunca se ocupou de mais de um pág. 83

mesmo tempo e concentrava todas as suas energias no do momento. Foi devido a isso que ele pôde dominar não apenas quatorze línguas, mas também todas as artes e ciências que estão ao alcance do homem. Dedicou-se a elas urna após outra com tamanho sucesso que em cada assunto sua cultura excedia a de homens que haviam dado suas vidas por elas. E aqueles que tentaram seguir seus passos e imitar seu método o fizeram com considerável sucesso. Portanto, as escolas deviam ser organizadas de tal modo que o estudante se ocupasse com apenas uma matéria de estudo de cada vez. 5º) Em todas as operações da natureza o desenvolvimento se faz de dentro para fora. Por exemplo: no caso do pássaro, não são as garras, as penas ou a pele que se formam primeiro, mas as partes internas; as partes externas são formadas mais tarde, na época apropriada. Da mesma forma, o jardineiro não insere o enxerto na casca externa nem na camada exterior de madeira, mas faz uma incisão na medula e empurra o enxerto o mais para dentro que puder. Isso significa que o estudante] "devia, primeiro, compreender as coisas e em seguida recordá-las e que o professor devia ter consciência de todos os métodos de conhecimento". 6~) A natureza, em seu processo formativo, começa pelo universal e termina com o particular. Por exemplo: um pássaro é produzido de um ovo. Não é a cabeça, o olho, uma pena ou uma garra que se forma em primeiro lugar, ocorrendo o



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