A educação é a prática mais humana, considerando-se a profundidade e a amplitude de sua influência na existência dos homens



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deveriam sempre encontrar aplicações importantes dentro do currículo do aluno. Esta não é uma teoria fácil de se aplicar, ao contrário muito difícil. Contém em seu âmago o problema de conservar vivo o conhecimento, de evitar que ele se tome inerte, o que constitui o problema central de toda a educação.

WHITEH[AD, Alfred North. Os fins da educação e outros ensaios. São Paulo, Nacional

ANÁLISE E REFLEXÃO 1. Comente: "Um homem meramente bem informado é o maçante mais inútil na face da terra

2. Você concorda com a idéia de que "a educação é a aquisição da arte de utilizar os conhecimentos"? Por quê?

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O pensamento pedagógico socialista formou-se no seio do movimento popular pela democratização do ensino. A esse movimento se associaram alguns intelectuais comprometidos com essa causa popular e com a transformação social. A concepção socialista da educação se opõe à concepção burguesa. Ela propõe uma educação igual para todos. As idéias socialistas na educação não são recentes. Todavia, por não atenderem aos interesses dominantes, têm sido muitas vezes relegadas a um plano

inferior. Há quem diga que a república sonhada por Platão já seria a manifestação do comunismo utópico. Platão ligava a educação à política. Mas foi só o inglês THOMAS MORUS (1478-1535) quem fez decididamente a critica da sociedade egoísta e propôs em seu livro Utopia a abolição da propriedade, a redução da jornada de trabalho para seis horas diárias, a educação laica e a co-educação. Inspirado em Rousseau, o francês

GRACO BABEUF (1760-1796) educou seus próprios filhos e formulou alguns princípios da pedagogia socialista; entre eles, reclamava uma escola pública de único para todos, acusando, no seu Manifesto dos plebeus, a educação dominante de se opor aos interesses do povo e de incutir-lhe a sujeição estado de miséria.

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ETIENE CABET (1788-1856) defendeu a idéia de que a escola devia igual para todos, tornando-se um local de desenvolvi toda a comunidade.

Educar o povo, para ele, significava política época, CHARLES FOURIER (1772-1837), que entendia a como uma guerra entre ricos e pobres, atribuía um papel importante à educação.

HENRY DE SAINT-SIMON (1760-1825) definiu a educação como a Prática das relações sociais. Por isso, criticava a educação de sua época que distanciava a escola do mundo real. Reivindicava uma educação pública supranacional. ROBERT OWEN (1771-1858) foi um dos primeiros pensadores a atribuir fundamental importância pedagógica ao trabalho manual. Para ele, a educação devia ter como princípio básico o trabalho produtivo. A escola deveria apresentar de maneira concreta e direta os problemas da produção e os problemas sociais. VICTOR CONSIDERANT (1808-1893) defendeu uma educação pública com a participação do estudante na organização e na gestão do sistema educacional. PIERRE JOSEPH PROUDHON (1809-1865) concebeu o trabalho manual como gerador de conhecimento. Afirmava que sob o capitalismo não poderia existir uma educação verdadeiramente popular e democrática e que a pobreza era o principal

obstáculo à educação popular.

Anteviu a grande expansão quantitativa, sob o regime capitalista, para a formação de um grande número de empregados que puxariam os salários para baixo e os lucros capitalistas para cima. Denunciou a farsa da gratuidade da escola pública capitalista: as classes exploradas que necessitam trabalhar não têm acesso à escola burguesa.

Para ele, é uma "utopia ridícula" esperar que a burguesia possa realizar a sua promessa de uma educação pública universal e gratuita. Os que se beneficiam da educação pública são os ricos, pois os pobres, sob o regime capitalista, estão condenados ao trabalho desde a infância. Os princípios de uma educação pública socialista foram enunciados por MARX (1818-1883) e ENGELS (1820-1895) e desenvolvidos, entre outros, por VLADIMIR ILICH LÊNIN (1870-1924) e E.Pistrak. Marx e Engels nunca realizaram uma análise sistemática da escola e da educação. Suas idéias a esse respeito encontram- se disseminadas ao longo de vários de seus trabalhos. A problemática educativa foi colocada de modo ocasional, fragmentário, mas sempre no contexto da crítica das relações sociais e das linhas mestras de sua modificação.

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Marx e Engels, em seu Manifesto do partido comunista, escrito entre 1847 e 1848, defendem a educação pública e gratuita crianças, baseada nos seguintes princípios: 1º) da eliminação do trabalho delas na fábrica; 2º) da associação entre educação e produção material; 3º) da educação politécnica que leva à formação do homem omnilateral, abrangendo três aspectos: mental, físico e técnico, adequados à idade das crianças, jovens e adultos; 4º) da inseparabilidade da educação e da política, portanto, da



totalidade do social e da articulação entre o tempo livre e o tempo de trabalho; isto é, o trabalho, o estudo e o lazer.

Marx defende o trabalho infantil, mas insiste em que este trabalho (útil, de valor social) deva ser regulamentado cuidadosamente, de maneira que em nada se pareça com a exploração infantil capitalista. Concretamente ele sustenta que, por razões fisiológicas, as crianças e os jovens de um ou outro sexo devem dividir-se em três classes, tendo cada uma delas um tratamento especifico: a primeira abrangendo crianças de 9 a 12 anos, com jornada de trabalho de duas horas por dia; a segunda abrangendo crianças de 13 a 15 anos, com jornada de trabalho de quatro horas por dia; e a terceira abrangendo jovens de 15 a 17 anos, com jornada de trabalho de seis horas por dia.

Embora mais cético do que Marx, MIKHAIL BAKUNIN (1814-1876) propõe a luta contra o elitismo educacional da sociedade burguesa, que é imoral. FRANCISCO FERRER GUARDIA(1859-1909), seguidor de Bakunin, defendia uma educação "racional" (oposta à concepção mística, sobrenatural), laica, integral e cientifica, baseada em quatro princípios: 1º) da ciência e da razão; 2º) do desenvolvimento harmônico da inteligência e da vontade, do mor4 e do físico; 3º) do exemplo e da solidariedade; 4º) da adaptação dos métodos à idade dos educandos. Ferrer é considerado um dos educadores mais importantes do pensamento

pedagógico antiautoritário, que será apresentado no processo capítulo. Lênin atribuiu grande importância à educação no processo de 'mação social. Como primeiro revolucionário a assumir o controla governo, pôde experimentar na prática a implantação das idéias na educação. Acreditando que a educação deveria desempenhar um

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importante papel na construção de uma nova sociedade, afinna~fr~qu4 mesmo a educação burguesa que tanto criticava era melhor que ~ ignorância.



A educação pública deveria ser eminentemente política nosso trabalho no terreno do ensino é a mesma luta para derrotar a burguesia; declaramos publicamente que a escola à margem da vida, i margem da política, é falsidade e hipocrisia. Segundo as próprias palavras de Lênin, "à exceção da Rússia, Europa não existe nenhum país tão bárbaro, no qual as massas populares tenham sido espoliadas do ensino, da cultura, e do saber. Por isso, no seu decreto de 26 de dezembro de 1919, obrigava "a todos os analfabetos de 8 a 50 anos de

idade a aprender a ler e a escrever em sua língua vernácula ou em russo, segundo o seu desejos. Nas notas escritas entre abril e maio de 1917, para a revisão do programa do partido, Lênin defendeu: 1º) a anulação da obrigatoriedade de um idioma do Estado; 2º) o ensino geral e politécnico, gratuito e obrigatório até os 16 anos; 3º) a distribuição gratuita de alimentos, roupas e material escolar; 4º) a transmissão da instrução pública aos organismos democráticos da administração autônoma local; 5º) a abstenção do poder central de toda a intervenção no estabelecimento de programas escolares e na seleção do pessoal docente; 6º) a eleição direta dos professores pela própria população e o direito desta de destituir os indesejáveis; 7º) a proibição dos patrões de utilizar o trabalho das crianças até os 16 anos; 8º) a limitação da jornada de trabalho dos jovens de 16 a 20 anos a quatro horas; 9º) a proibição de que os jovens trabalhassem à noite em empresas insalubres ou nas minas. Pistrak, um dos primeiros educadores da Revolução Russa, parafraseando Lênin (que dizia não existir prática revolucionária sem teoria revolucionária), afirmava que "sem teoria pedagógica revolucionária não poderá haver prática pedagógica revolucionária. Atribuía ao professor

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um papel de militante ativo; dos alunos esperava que trabalhassem coletivamente e se organizassem autonomamente. Auto-organização e trabalho coletivo para superar o autoritarismo professoral da escola

Para que houvesse essa auto-organização, Pistrak procurava mostrar importância da aprendizagem para a vida do educando e a necessidade dela para a prática de uma determinada ação. O professor seria um conselheiro. Só a assembléia dos alunos podia estabelecer punições. Os mandatos de representação dos alunos seriam curtos para possibilitar alternância. Os métodos escolares seriam ativos e vinculados ao trabalho manual (trabalhos domésticos, trabalhos em oficinas com metais e madeiras, trabalhos agrícolas, desenvolvendo a aliança cidade-campo). Seja no trabalho agrícola, seja no trabalho industrial, o aluno tinha de se sentir participativo do progresso da produção, segundo sua capacidade física e mental. O aluno não iria à fábrica para "trabalhar", mas para compreender a totalidade do trabalho. Na fábrica, dizia Pistrak, eclode toda a problemática do nosso tempo. A visão educacional de Pistrak coincidiu com o período de ascensão das massas na Revolução Russa, a qual exigia a formação de homens vinculados ao presente, inalienados, mais preocupados em criar o futuro do que em cultuar o passado, e cuja busca do bem comum superasse o individualismo e o egoísmo. Através de Pistrak, tem-se o projeto da revolução soviética no plano da educação, especialmente no nível do ensino primário e secundário. Ele enfatizava a necessidade de criar uma nova instituição escolar na sua estrutura e no seu espírito, suprimindo a contradição entre a necessidade de criar um novo tipo de homens e as formas da educação tradicional. Isso implicava uma profunda mudança na instituição escolar. Pistrak preferiu então optar pela criação da nova instituição no lugar da transformação da velha estrutura. A organização do programa de ensino para ele devia orientar-se através dos "complexos", cujo tema seria escolhido segundo os objetivos da escola, inspirado no plano social e não no meramente pedagógico, de modo que o aluno pudesse compreender o real. Tratava-se de selecionar um tema fundamental que possuísse um valor real, que depois pudesse ser associado sucessivamente aos temas de outros complexos. Este trabalho mudaria conforme a idade dos alunos. O papel do complexo Sena treinar a criança no método dialético e isso só poderia ser conseguido na medida em que ela assimilasse o método na prática, compreendendo sentido de seu trabalho. O estudo pelo sistema de complexo

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produtivo se estivesse vinculado ao trabalho real dos alunos e à sua organização na atividade social prática, interna e externa à escola. Desde os primeiros dias da Revolução Russa, concebeu-se a escola socialista como única ou unitária. Nessa escola do trabalho, todas as crianças deviam passar pelo mesmo tipo de educação, com direitos iguais de alcançaremos graus mais elevados, dando-se preferência aos filhos dos trabalhadores mais pobres. ANATOLI VASILIEVITH LUNATCHARSKI (1875-1933), político e escritor russo, iniciou muito jovem sua atividade propagandística do socialismo. Por várias vezes esteve preso e exilado. Em 1903 aderiu ao bolchevismo, mas sua tendência era conciliar o marxismo com a religião. Depois de um grande exílio no exterior, retornou à Rússia. Em março de 1917, trabalhou com Lênin e Trotski, no início da Revolução Bolchevista, como Comissário do Povo para a Instrução. Foi, assim, o organizador da escola soviética. Escreveu numerosos textos sobre escritores russos e estrangeiros, dentre os quais destacamos A história da literatura européia ocidental nos seus momentos mais fecundos. Neles Lunatcharski se mostra um grande conhecedor do materialismo histórico. Produziu também um tratado sobre "estética positiva". Foi um homem de conhecimentos enciclopédicos, destacado crítico, historiador da arte e da literatura universal, cronista e prolífico orador. Foi o verdadeiro responsável por toda a transformação legislativa da escola russa e o criador dos sistemas de ensino primário, superior e profissional socialistas. Seu

conhecimento das teorias marxistas, dos métodos ocidentais de instrução e da realidade nacional permitiu resolver as principais questões de organização da educação na construção da nova sociedade socialista russa. Lunatcharski instituiu o trabalho como princípio educativo e criou os

Conselhos de Escola. Para ele, "o fundamento da vida escolar deve ser o trabalho produtivo, não concebido tanto como o serviço de conservação material da escola ou apenas como método de ensino, e sim como atividade produtiva socialmente necessária. O princípio do trabalho converte-se em um meio pedagógico eficiente quando o trabalho dentro da escola, planificado e organizado socialmente, é levado adiante de uma maneira criativa, e executado com interesse, sem exercer uma ação violenta sobre a personalidade da criança". Segundo Lunatcharski, o conselho de escola seria o organismo responsável pela autogestão escolar. Esse conselho se comporia de todos Ida escola, de representantes da população ativa do de alunos mais velhos e de um representante da seção para função do povo.

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ANTONIO GRAMSCI (1891-1937), histórico defensor da escola socialista,

chamava a escola única de escola unitária, evocando a idéia de Unidade e centralização democrática. Seguindo a concepção leninista, ele também colocou o trabalho como um princípio antropológico e educativo básico da formação. Criticou a escola tradicional que dividia o ensino em clássico" e "profissional", o último destinando-se às "classes instrumentais" e o primeiro às "classes dominantes e aos intelectuais". Gramsci propõe a superação desta divisão; uma escola critica e criativa leve ser ao mesmo tempo "clássica", intelectual e profissional. Para ele, o advento da escola unitária significa o início de novas relações entre trabalho intelectual e trabalho industrial não apenas na escola, mas em toda a vida social. O princípio unitário, por isso, refletir-se-á em todos os organismos de cultura, transformando-se e emprestando-lhes um novo conteúdo. Opondo-se ao liberalismo de Rousseau, Gramsci afirmou que a coação a disciplina são necessárias na preparação de uma vida de trabalho, para ima liberdade responsável. Mas opôs-se também ao autoritarismo irracional: numa relação entre governantes e governados que realiza uma vontade coletiva, a disciplina é assimilação consciente e lúcida da diretriz ser realizada. Postulou também a criação de uma nova camada intelectual. Para ele, 'o modo de ser do novo intelectual não pode mais consistir na eloqüência motor exterior e momentâneo dos afetos e das paixões) mas num imiscuir-se ativamente na vida prática, como construtor, organizador, persuasor permanente(...). No mundo moderno a educação técnica, estreitamente ligada ao trabalho industrial, mesmo ao mais primitivo e desqualificado, deve constituir a base do novo tipo

intelectual (...) Da técnica-trabalho, eleva-se à técnica-ciência e à concepção humanista histórica, sem a qual se permanece 'especialista' e não se chega a 'dirigente' especialista mais político). Desse modo, o próprio esforço muscular-nervoso, que inova continua7nente o mundo físico e social, seria o fundamento de uma nova e integral

* GRAMSCI, Antônio. Os intelectuais e a organização da cultura. Rio de * Janeiro, Civilização Brasileira, 1968, p. 118. * GRAMSCI, Antônio. Os intelectuais e a organização da cultura. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1968, p. 8.

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concepção do mundo. Uma vez que o trabalho é uma modalidade de práxis, esta é a própria atividade com que o homem se caracteriza e pela qual se apodera do mundo. Seguindo os passos de Gramsci, outro italiano se destaca: MARIO ALIGHIERO MANACORDA (1914). Dirigente de sindicatos e associações docentes, membro do comitê administrativo da Fise (Federação Internacional Sindical dos Docentes) é da comissão nacional italiana da Unesco, é considerado na Itália e no exterior um dos maiores representantes italianos no campo da Pedagogia. Trata-se de um intelectual que une uma vasta cultura clássica à militância política. Para ele, os homens travam uma luta secular para superar a divisão entre os que falam, são cultos, possuem bens materiais e detêm o poder e aqueles outros que apenas fazem, produzem e nada possuem. É a luta entre os homens das "palavras" e os homens das "ações", que ele recupera em suas obras. Organizou traduções, antologias e seleções de ensaios sobre autores italianos e estrangeiros, entre outros, Marx e Gramsci. A doutrina socialista, fundada nas pesquisas de Marx, significa antes de mais nada uma construção ética e antropológica, cuja direção é a liberdade, a ruptura com a alienação. Mas essa passagem não se fará abstratamente, como queria HEGEL (1770-1831), nem de forma mecânica, como queria FEUERBACH (1804-1872). A classe trabalhadora, portadora dessa nova esperança, a única capaz de suprimir-se suprimindo todas as classes, necessita de uma consciência, uma teoria

avançada para realizar essa sua missão histórica. A escola, ao lado do partido e do sindicato, pode ser o espaço indicado para essa elaboração. Assim, a consciência de classe passa a ser o núcleo programático central do currículo da escola socialista, mesmo no interior da sociedade capitalista, cujo núcleo central é outro: a disciplinação. Por isso, a educação socialista no interior da burguesa só pode ser uma pedagogia da práxis. Como a libertação não é um ato arbitrário, requer um lento preparo, uma superação gradual das contradições e dicotomias, uma educação de classe contrária à burguesa, manipuladora e alienadora. Ao mesmo tempo, não podem ser ignoradas as conquistas técnicas e científicas da escola burguesa. A compreensão e a assimilação critica desses avanços possibilitarão o domínio dos instrumentos técnico-científicos, apropriados exclusivamente pelas classes dominantes. Numa concepção dialética e popular da educação, contudo, essa apropriação do conhecimento universal, da riqueza e do saber não se faz de forma individualizada, como no capitalismo. A nova qualidade da apropriação do saber, na ótica socialista,

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se orienta pela solidariedade de classe e pela amorosidade e não pelo puro de competir e superar o outro, o colega, o semelhante. A educação capitalista media a qualidade do seu ensino pelos palmos de saber, já sistematizado por ela segundo os seus interesses, e reproduzido pelos alunos. A educação socialista mede a idade de classe que tiver produzido entre os educandos e destes toda a classe trabalhadora. Esses princípios orientaram outros grandes educadores socialistas, a mulher de Lênin, NADJA KONSTANTINOVNA KRUPSKAIA (1869-9), que elaborou o primeiro plano de educação da União Soviética depois da Revolução de 1917. A escola neutra, dizia ela, transformou-se escola onde não se questiona nada, onde o educador e o aluno estão e um do outro, onde não existe nenhuma solidariedade ou camaradagem entre ambos. A relação entre a escola e a classe social, o trabalho, dominou a preocupação de todos os educadores socialistas, que não desprezaram conquistas anteriores como as da Escola Nova. PAVEL PETROVITCH BLONSKY(1884- 1941), por exemplo, admirador de John Dewey, associou essas conquistas com o ideal socialista.

a Blonsky estava convencido de que a confluência do processo histórico da educação e da produção material conduziriam ao "novo tomem", plenamente desenvolvido. Ele procurou estabelecer uma relação entre a concepção de sociedade de Marx e os princípios pedagógicos de Rousseau e todos os seus seguidores. Os esforços de Blonsky centraram-se na tentativa de superar o liberalismo burguês da Escola Nova e dar um conteúdo marxista a seus princípios. Para ele, as crianças são naturalmente boas, isto é, comunistas e natureza, e a principal preocupação da pedagogia deve ser desenvolver esta qualidade através de uma educação que permita a elas construir um próprio mundo comunista, sem imposições dos adultos.

Segundo Blonsky, se pretende formar crianças e jovens no espírito lá educação do trabalho, devem desaparecer: o tempo de aula, com uma duração determinada; as matérias escolares, que devem ser substituídas pela realidade concreta; o conceito de classe, enquanto entidade que agrupa as crianças segundo a idade e não segundo os níveis de desenvolvimento e que obriga as crianças a se ocuparem de um único objetivo; a desconfiança nas crianças, que mutila as possibilidades de experimentação infantil;

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- a identificação do mestre como um funcionário que educa autoritariamente; - a importância dada ao trabalho intelectual e o menosprezo às atividades manuais - o ter que estar sentado na classe. AMON SEMIONOVICH MAKARENKO (1888-1939), que também sofreu influência do movimento da Escola Nova, propôs a escola única até os 10 anos, alicerçada na "autoridade da ajuda", que era a autoridade do coletivo resultante da participação comum nas decisões. Makarenko não se mostrou autoritário ao organizar uma escola, mas apenas prático e organizado. Seu programa incluía princípios democráticos, como a decisão coletiva em oposição ao governo individual, a autonomia dos departamentos em lugar da centralização estreita, a eleição do líder de cada departamento pela assembléia geral, não pela administração. A educação soviética visava sobretudo o indivíduo e o cidadão. O coletivo devia receber prioridade sobre o individual. Não poderia haver educação senão na coletividade, através da vida e do trabalho coletivo. Acreditava ainda que o incentivo econômico era importante na motivação dos estudantes para o trabalho e, por isso, defendeu o pagamento de salários pelo trabalho produzido na escola. Makarenko descreve mais o processo educacional e menos, ou muito pouco, o processo de ensino. Para ele, o educador educa: - pelo exemplo no trabalho, fazendo as mesmas coisas que os educandos; - pela capacidade profissional, por exemplo: como agrônomo, enfermeiro, cozinheiro, etc.; - pela simplicidade e verdade nas relações humanas (não aceita fanfarronismo); - pela capacidade de evitar emocionalidades nas horas de conflito, levando os mesmos a serem vividos intensamente, mas com reflexão e não com paixão; - pela empatia e aceitação dos limites do educando. O verdadeiro processo educativo, para Makarenko, se faz pelo próprio coletivo e não pelo indivíduo que se chama educador. Onde existe o coletivo o educador pode desaparecer, pois o coletivo molda a convivência humana, fazendo-a desabrochar em plenitude. Para Makarenko, ser educador é uma questão de personalidade e caráter - capacidades autóctones - e não de teoria, estudo e aprendizagem.

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Teoria e prática se fundem numa personalidade revolucionaria, que irradia força vital e entusiasma para a mudança de atitude nos educandos. LEV SEMANOVICH VYGOTSKY (1896-1934), ainda pouco conhecido no Brasil, neuropsicólogo e lingüista, trabalhou com crianças com defeitos congênitos, lecionando numa escola de formação de professores. Vygotsky atribui

importância fundamental ao domínio da linguagem na educação: a linguagem é o meio pelo qual a criança e os adultos sistematizam suas percepções. Através da linguagem os homens formulam generalizações, abstrações e outras formas de pensar. Para ele, de todas as formas de expressão, a

expressão oral é a mais importante. E pela fala que o homem defende os seus direitos, manifesta seus pontos de vista, participa coletivamente da construção de outra sociedade. MAO TSÉ-TUNG (1893-1976), estadista, poeta e líder revolucionário chinês, em 1918 fixou-se em Pequim. Foi fundador, com outros onze companheiros, do

Partido Comunista Chinês (1921), que depois de longa luta consegue, em 1949, criar a República Popular da China. Muitos autores polemizam em relação à definição do maoísmo. Cientistas políticos afirmam que o maoísmo surgiu como uma concepção marxista a partir de uma reflexão sobre o fracasso da luta pela instauração do socialismo no leste europeu e sobre as experiências camponesas na China. Outros defendem a idéia de que o maoísmo foi a aplicação do marxismo às condições particulares da China. A China realizou nos anos 60 uma notável Revolução Cultural, para preservar valores socialistas, como o trabalho manual para todos, a coletivização, a eliminação da oposição cidade-campo e dos privilégios de classe. Mais tarde essa revolução cultural foi criticada por alguns excessos, mas conseguiu



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