A educação é a prática mais humana, considerando-se a profundidade e a amplitude de sua influência na existência dos homens



Yüklə 0,83 Mb.
səhifə1/25
tarix17.11.2018
ölçüsü0,83 Mb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   25

Curso: Pedagogia Série: 2ª Disciplina: História da Educação Livro: História das idéias pedagógicas Autor: Moacir Gadotti Cidade: São Paulo Editora: Ática Ano: 1997 Obs: as páginas estão no inicio do texto Prefácio

Pág. 11


A educação é a prática mais humana, considerando-se a profundidade e a amplitude de sua influência na existência dos homens. Desde o surgimento do homem, é prática fundamental da espécie, distinguindo o modo de ser cultural dos homens do modo natural de existir dos demais seres vivos. Mas, exatamente por impregnar assim tão profundamente a existência dos homens, a educação é mais vivenciada do que pensada. Quase que se autobastando, parece dispensar a tarefa esclarecedora e norteadora do pensamento. Isso ocorre não sem razão, pois a educação demorou para tornar- se preocupação dos teóricos ressentindo-se até hoje de maior consistência conceitual. Também se vê por aí por que aqueles pensadores que, de uma maneira ou outra, tematizaram as questões educacionais até hoje não têm suas idéias destacadas pelos intérpretes da história da cultura humana, ainda que esses mesmos intérpretes sejam a prova viva e concreta da fecundidade do processo educacional.

Pág. 12


A primeira contribuição filosófica deste livro de Moacir Gadotti diz respeito exatamente a esse pograma.Com efeito, Gadotti parte de uma rica e profunda intuição de a educação, enquanto prática fundamental da existência histórico - cultural dos homens, precisa ser pensada, ou melhor, precisa continuar sendo pensada, pois ela já o foi antes. Para o público brasileiro, sensível ao debate das questões educacionais, não há mais necessidade de apresentar Moacir Gadotti, tão rica tem sido, nas

últimas três décadas, sua produção teórica, militante e crítica, aliada ao insistente esforço de convocação de todos para o trabalho de transformação da sociedade brasileira. Esforço de politização da educação, em vista de sua relevância para os destinos da sociedade, e que se manifesta nas múltiplas frentes de seu engajamento de educador, seja no âmbito da docência universitária, da administração dos sistemas públicos de ensino, da pesquisa acadêmica e científica, seja ainda no âmbito da própria militância sindical e política. Não poderia deixar de registrar, companheiro que sou de jornada, e testemunha do compromisso de Gadotti com a causa da educação brasileira, que essa retomada que faz neste livro das idéias pedagógica não é apenas o registro frio e documental de resíduos literários e culturais, mas o registro dos resultados das pesquisas e reflexões que vem desenvolvendo nos últimos anos, em decorrência de suas próprias inquietações, indagações e perplexidades. Com sua intuitiva criatividade, sua pesquisa histórica das idéias, realizou um investimento sistemático na busca do sentido, não do sentido petrificado, mas daquele construído no passado, ainda capaz de iluminar o futuro. Esta história das idéias pedagógicas, esboçada por Moacir Gadotti, até certo ponto se confunde com sua busca pessoal de significação da educação; segue a mesma trilha de sua experiência intelectual, hoje. Voltada para a compreensão do que pode significar a educação no estagio1 pós-moderno que deverá viver esta passagem de milênios. Suas reflexões atuais levam-no a delinear para a educação pós-moderna uma tarefa eminentemente crítica, que lhe garanta para resgatar a unidade entre história e sujeito, que foi perdida durante e as operações de desconstrução da cultura e da educação, levadas a racionalismo moderno.. Dando-se conta de seu caráter ente multicultural, a educação pós-moderna buscará a igualdade sem eliminar as diferenças, ao contrário do que fizera o projeto educacional da modernidade iluminista. A própria diversidade de teses e de visões, acontecida no decorrer da história e apresentada nesta exposição si~tematl2ada, já expressa a ambição do autor. Daí sua posição: a escola, embora tenha de ser local,

pág. 13

enquanto ponto de partida, deve-se universal, enquanto ponto de chegada. Sem dúvida, a proposta do livro é ambiciosa, não podendo se esgotar apenas neles. Ela impôs escolhas e limitações. Assim, o texto ganha a perspectiva de um amplo roteiro, indicando caminhos, dando pistas, lançando provocações, solicitando aprofundamentos! Para cada período, dos pensadores ou escolas de pensamento significativas que então suas concepções pedagógicas e filosófico educacionais apresentadas de maneira sintética e analisadas no âmbito de seu contexto I~iIst6rico- cultural e de seu alcance teórico.



A exposição, em cada um dos dezesseis capítulos, se faz acompanhar de passagens de textos representativos do pensamento dos autores, bem como de algumas questões que provocam a análise e a reflexão no Leitor. Cabe destacar que, neste trabalho, o pensamento filosófico-educacional da humanidade não mais se reduz às suas expressões euro ocidentais: também as contribuições do pensamento que se vai elaborando no Terceiro Mundo são explicitadas por Gadotti, que destaca autores orientais, africanos, hispano- americanos e brasileiros, enfatizando a universalidade do pensar sobre a educação. Aqui, o leitor/estudante encontrará valiosos subsídios e roteiros para seu estudo e aprendizado, naquele necessário momento de apreensão sistematizadora da totalidade do pensamento filosófico-educacional. Mas também o leitor que não está diretamente vinculado ao universo acadêmico-profissional da educação formal encontrará, neste texto, muita contribuição, na medida em que essa retomada histórica das idéias pedagógicas, feita a partir da perspectiva filosófica, ajuda todos a compreenderem como os homens construíram sua história no passado e a se esclarecerem como podem construir, mediante sua práxis atual, a história do futuro. Antônio Joaquim Severino Professor de Filosofia da Educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo

Pág. 14 vazia

Pág. 15

O estudo das idéias pedagógicas não se limita a ser uma iniciação à filosofia antiga ou contemporânea. Também não se resume ao que os filósofos disseram a respeito da educação. Mais do que possibilitar um conhecimento teórico sobre a educação, tal estudo forma em nós, educadores, uma postura que permeia toda a prática pedagógica. E essa postura nos induz a uma atitude de reflexão radical diante dos problemas educacionais, levando-nos a tratá-los de maneira séria e atenta. Por ser radical, essa reflexão é também rigorosa e atinge principalmente as fina/idades da educação. Não dá apenas uma resposta geral aos problemas educacionais. De certa forma, ela "morde" a realidade, isto é, pronuncia-se sobre as questões e os fatos imediatos que nos atingem como educadores.



Pág. 16

A filosofia, a história e a sociologia da educação oferecem o4 elementos básicos para que compreendamos melhor nossa prática educativa e possamos transformá-la. Evidenciam o fato de não podermos nos omitir diante dos problemas atuais. E mais: oferecem recursos para que os enfrentemos com rigor, lucidez e firmeza. Partindo de um ponto de vista crítico, praticamos uma teoria interrogativa, dialética. Buscando dialéticamente a unidade e a oposição de contrários, deparamos com a unidade entre ação e reflexão. As idéia pedagógicas representam, certamente, um grau elevado de abstração mas, dentro de uma ótica dialética (não metafísica), o pensamento não ~ puramente especulativo. Ele se traduz numa abstração concreta.

POR QUE RECORRER ÀS FONTES?

Quando recorremos às fontes básicas do pensamento pedagógico não realizamos um ato puramente abstrato e abstraído da realidade. Iluminada pela história da educação e da pedagogia, a filosofia da educação mostra o presente e aponta um futuro possível. E esse é o programa, a proposta, tanto para um curso de filosofia da educação quanto de teoria educacional, de história da educação ou de história do pensamento pedagógico. O estudo da teoria educacional nos convida à ação individual coletiva. Percebemos, por isso, que nenhuma questão deve ser banalizada: ao contrário, todos os aspectos da realidade precisam ser trabalhados

elaborados. Além das leituras - instrumentos fundamentais para a aquisição um

vocabulário básico -, a pergunta, a indagação, o diálogo, o debate a discussão organizada constituem a base do hábito de pensar. Os textos que escolhemos e apresentamos neste livro representam resultado de uma longa experiência como professor de história e d filosofia da educação. A pesquisa para esse livro foi iniciada em 1971. A escolhas recaíram sobre os autores que marcaram a sua época, seja com filósofos, sociólogos,

educadores, que influenciaram o pensamento atual Demos especial destaque para a época contemporânea e para o pensa mento pedagógico brasileiro mais recente.

COMO APRESENTAMOS O PENSAMENTO PEDAGOGICO?

Preferimos apresentar as idéias dos pensadores em ordem cronológica, histórica. Assim, mostramos o quanto a evolução da educação está ligada à evolução da própria sociedade.

Pág. 17


Haveria outras formas mamo caiu essa não precisa necessariamente ser lido na dividir os autores segundo sua filiação filosófica. os que se filiam à chamada pedagogia da essência e filiam a pedagogia da existência. Isso também seria possível, mas correríamos o risco de dar a impressão de que as idéias têm uma história própria, independente da produção humana da vida.

As história das idéias é descontínua. Não existe propriamente um aperfeiçoamento crescente que faz com que as idéias filosófico - educacionais antigas deixem de ser válidas e sejam superadas pelas modernas. As clássicos da filosofia continuam atuais. É por isso que a história filosofia se distingue da história das ciências. As novas descobertas das ciências vão tomando as antigas obsoletas. Isso não acontece com a filosofia e a teoria educacional. perguntas da filosofia - o que é o homem, por exemplo - são sempre com a mesma atualidade. O que varia são as respostas, inacabadas, motivo por que são novamente recolocadas. O movimento do pensamento pedagógico não é linear, nem circular ou pendular, ele se processa comas idéias e os fenômenos, de forma com crises, contradições e fases que não se anulam, nem se

livro poderia também ser organizado através de temas. Não os por essa forma de apresentação para não fragmentar os textos dos s. Esse estudo comparativo, contudo, pode ser feito em classe ou em para se verificar afinidades, convergências e divergências entre os

AS TAREFAS DA TEORIA DA EDUCAÇAO

A reflexão filosófica auxilia na descoberta de antropologia, de ideologias subjacentes aos sistemas educacionais, às reformas, às inovações, as concepções e às doutrinas pedagógicas e à prática da educação. Semelhante trabalho de reflexão seria incompleto se também não mostrasse as possibilidades da educação. A filosofia da educação está ligada de um certo otimismo crítico. Quer dizer: fazendo uma análise acredita que a educação tem um papel importante no próprio processo de humanização do homem e de transformação social, embora

pág. 18


não preconize que, sozinha, a educação possa transformar a sociedade. Apontando as possibilidades da educação, a teoria educacional visa à formação do homem integral, ao desenvolvimento de suas potencialidades, para tomá-lo sujeito de sua própria história e não objeto dela. Além disso, mostra os instrumentos que podem criar uma outra sociedade. Como se pode observar, as tarefas da teoria da educação são consideráveis. E, assim mesmo, são insuficientes. Se pensar significa sobretudo estar presente no mundo, na história, junto ao outro e perante si mesmo, é necessário, antes de mais nada, que os obreiros do pensamento filosófico sejam partidários da lucidez, da atenção paciente e vigilante, do engajamento, da responsabilidade, cio companheirismo. Enfim, tudo o que possa encorajar, nutrir, fecundar, suscitar essa atitude nos meios educativos deve ser o alvo central e decisivo da educação. A partir dessas diretrizes, a teoria da educação tem por missão essencial subsidiar a prática. A ligação entre a teoria e a prática é fundamental na educação. Por isso, pensamos que filosofia, história e sociologia da educação sejam inseparáveis. Realizando essa ligação da teoria com a prática, tornamos vivo o pensamento. Assim não nos apropriamos dele por deleite, por gosto pela teoria pura; mas porque ele, em confronto com a prática educacional, é reapropriado e transformado de forma coletiva. Em suma, nós o recriamos. Todo leitor da teoria da educação acaba praticando-a. Todo educador, ao interrogar-se sobre as finalidades de seu trabalho, está, de certa forma, filosofando, mesmo que não o pretenda. A filosofia da educação representa, assim, um instrumento eficaz de

formação do educador, capaz de levá-lo a superar o senso comum, o ativismo inconseqüente e o verbalismo estéril.

O QUE ESTE LIVRO PRETENDE? Ao escolhermos uma ótica de análise histórica e dialética, pretendemos evitar a armadilha na qual muitos autores caem: o maniqueísmo, que toma um ponto de vista como absoluto para renegar e denegrir os demais. A finalidade deste livro é ordenar e sistematizar a história das idéias pedagógicas, da Antigüidade a nossos dias, e mostrar as perspectivas para o futuro. Tarefa gigantesca mas minimizada pela longa trajetória de estudo e debate com numerosos alunos a quem aqui queremos prestar uma especial homenagem. Sem a contribuição deles, seria impossível escrever este livro hoje.

Pág. 19


Nesta obra,; não nos limitamos a apenas elencar as teorias, expô-las e apresentar suas fontes. Procuramos também nos pronunciar sobre elas um caminho possível, preocupados mais com as idéias do que com as técnicas. Não pretendemos com este breve História das idéias pedagógicas esgotar todos os temas e todos os autores. Tampouco poderíamos apresentar todos os pensadores sem cair no enciclopedismo. Consideramos mais importante e útil do que o conhecimento de uma infinidade de autores a compreensão das contribuições básicas. Dessa forma, conseguimos incorporá-las e criar as nossas, depois de confrontá-las com a prática. Na verdade, alguns autores poderiam ser incluídos nesta ou naquela tendência. Seu pensamento poderia ser apresentado de forma mais completa. Reconhecemos as lacunas e as omissões. Tivemos que fazer escolhas. Mas, ao mesmo tempo, demonstramos com isso a preocupação pedagógica de evitar a ambigüidade, a obscuridade e a polêmica. No todo, optamos pela clareza, entendendo que o conhecimento profundo não é obscuro, mas simples e concreto. Enfim, a finalidade deste livro é ordenar e sistematizar as principais teses, as principais teorias e os principais pontos de vista sobre o fenômeno educativo e sobre a escola. Valorizando-os, pretendemos compreender a educação atual e possibilitar uma visão onde o passado serve para vislumbrar o futuro. Nossa intenção não é eclética. Esta síntese do pensamento pedagógico universal, dentro dos limites impostos pela utilização escolar a que se destina, é guiada por uma perspectiva dialética integradora. Procuramos, ao contrário, buscar uma integração desse enorme esforço feito através de séculos de prática e teoria educacional para encontrar os melhores meios de tornar a educação um instrumento de libertação humana e não de domesticação. A diversidade de perspectivas, de alternativas, de soluções para os problemas não deve nos assustar. Tem-se falado sempre que a 3ducação está em crise. Evidenciar o caminho que ela vem percorrendo através dos séculos é, sem dúvida, a melhor forma de compreender suas causas e buscar superar essa crise.

Pág. 20 vazia Pág. 21

A pratica da educação é muito anterior ao pensamento pedagógico. O pensamento pedagógico surge com a reflexão sobre a prática da educação, como necessidade de sistematizá-la e organizá-la em função de determinados fins e objetivos. O Oriente afirmou principalmente os valores da tradição, da não- violência, da meditação. Ligou-se sobretudo à religião, entre as quais se destacam: o taoísmo, o budismo, o hinduísmo e o judaísmo. Esse pensamento não desapareceu inteiramente. Evoluiu, transformou-se, mas guarda ainda grande atualidade e mantém muitos seguidores. A educação primitiva era essencialmente prática, marcada pelos rituais de iniciação. Além disso, fundamentava-se pela visão animista: acreditava-se que todas as coisas - pedras, árvores, animais - possuíam uma alma semelhante à do homem. Espontânea, natural, não-intencional, a educação baseava- se na imitação e na oralidade, limitada ao presente imediato. Outra

característica dessa visão é o totemismo religioso, concepção de mundo que toma qualquer ser-homem, animal, planta ou fenômeno natural - como sobrenatural e criador do grupo. O agrupamento social que adora o mesmo totem recebe o

nome de clã.

Pág. 22


A doutrina pedagógica mais antiga é o taoísmo (tao = razão universal), que é uma espécie de panteísmo,, cujos princípios recomendam uma vida tranqüila, pacifica, sossegada, quieta. Baseando-se no taoísmo, CONFÚCIO (55~-479 a.C.) criou um sistema moral que exaltava a tradição e o culto aos mortos.

O confucionismo transformou-se em religião do estado até a Revolução Cultural, promovida na China por Mao Tsé-Tung, no século XX. Confúcio considerava o poder dos pais sobre os filhos ilimitado: o pai representava o próprio Imperador dentro de casa. Criou um sistema de exames baseado no ensino dogmático e memorizado. Esse memorismo fossilizava a inteligência, a imaginação e a criatividade, hoje exaltadas pela pedagogia. A educação chinesa tradicional visava reproduzir o sistema de hierarquia, obediência e subserviência ao poder dos mandarins.

Apesar disso, existe hoje uma tendência a se resgatar o essencial do taoísmo, como a busca da harmonia e do equilíbrio num tempo de muitos conflitos e de crescente desumanização.

A educação hinduísta também tendia para a contemplação e para a reprodução das castas - classes hereditárias -, exaltando o espírito e repudiando o corpo. Os párias e as mulheres não tinham acesso à educação.

Os egípcios foram os primeiros a tomar consciência da importância da arte de ensinar. Devemos a eles o uso prático das bibliotecas. Criaram casas de instrução onde ensinavam a leitura, a escrita, a história dos cultos, a astronomia, a música e a medicina. Poucas informações desse período foram preservadas.

Foram os hebreus que mais conservaram as informações sobre sua história. Por isso, legaram ao mundo um conjunto de doutrinas, tradições, cerimônias religiosas e preceitos que ainda hoje são seguidos. A educação hebraica era rígida, minuciosa, desde a infância; pregava o temor a Deus e a obediência aos pais. O método que utilizava era a repetição e a revisão: o catecismo. Foi principalmente através do cristianismo que os métodos educacionais dos hebreus influenciaram a cultura ocidental.

Entre muitos povos, a educação primitiva ocorreu com características semelhantes, marcada pela tradição e pelo culto aos velhos. Esse tradicionalismo pedagógico, porém, é orientado por tendências religiosas diferentes: o panteísmo do extremo oriente, o teocratismo hebreu, o misticismo hindu, o magicismo babilônico.

Pág.23


s se estruturaram e se desenvolveram em função da emergência da sociedade de classes. A escola, como instituição à divisão social do trabalho e ao nascimento do estado, da família e da propriedade privada.

Na comunidade primitiva a educação era confiada a toda a comunidade, em função da vida para aprender a usar o arco, a criança caçava; para aprender a nadar, nadava. A escola era a aldeia.

Com a divisão do trabalho, onde muitos trabalham e poucos se beneficiam do trabalho de muitos, aparecem as especialidades: funcionários, sacerdotes, médicos, magos, etc.; a escola não é mais a aldeia e a vida, funciona num lugar especializado onde uns aprendem e outros ensinam.

A escola que temos hoje nasceu com a hierarquização e a desigualdade econômica gerada por aqueles que se apoderaram do excedente produzido pela comunidade primitiva. A história da educação, desde então, constitui-se num prolongamento da história das desigualdades econômicas. A educação primitiva era única, igual para todos; com a divisão social do trabalho aparece também a

desigualdade das educações: uma para os exploradores e outra para os explorados, uma para os ricos e outra para os pobres.

As doutrinas, que veremos expostas a seguir através de textos, constituem- se em resposta dos exploradores, que procuravam através da educação reproduzir a dominação e a submissão. A educação sistemática surgiu no momento em que a educação primitiva foi perdendo pouco a pouco seu caráter unitário e integral entre a formação e a vida, o ensino e a comunidade. O saber da comunidade é expropriado e apresentado novamente aos excluídos do poder, sob a forma de dogmas, interdições e ordens que era preciso decorar. Cada indivíduo deveria seguir à risca os ditames supostamente vindos de um ser superior, extraterreno, imortal, onipresente e onipotente. A educação primitiva, solidária e espontânea, vai sendo substituída pelo temor e pelo terror.

Apesar dessa distorção criada pela dominação, por trás dos dogmas, da vontade de poder e do paternalismo, aparecem nos textos alguns ensinamentos. Além da crítica, é pQS5Ível extrair também alguns pontos de reflexão úteis à educação do homem atual.

Pág. 24 O PODER DA NÃO-VIOLÊNCIA

Revela a experiência que o mundo Não pode ser plasmado à força. O mundo é uma entidade espiritual, Que se plasma por suas próprias leis. Decretar ordem por violência É criar desordem. Querer consolidar o mundo à força É destruí-lo, Porquanto, cada membro Tem sua função peculiar: Uns devem avançar, Outros devem parar. Uns devem clamar, Outros devem calar. Uns são fortes em si mesmos Outros devem ser escorados. Uns vencem na luta da vida, Outros sucumbem.

Pág. 25


Por isto, ao sábio não interessa a força, Não se arvora em dominador, Não usa de violência.

TEXTO: DOMINAR SEM VIOLÊNCIA

Para diminuir alguém Deve-se primeiro engrandecê-lo. Para enfraquecer alguém, Deve-se primeiro fortalecê-lo. Para fazer cair alguém, Deve-se primeiro exaltá-lo. Para receber algo, Deve-se primeiro dá-lo. Esse deixar amadurecer É um profundo mistério. O fraco e flexível É mais forte que o forte e rígido. Assim como o peixe Só pode viver em suas águas, Assim só pode o chefe de Estado Dominar sem violência.

LAO-TSÉ. Tao Te King: o livro que revela Deus. Tradução e notas de Humberto Rohden. São Paulo Alvorada, 1988, 7ªedição

ANÁUSE E REFLEXÃO

1. Explique em que Lao-Tsé e Shakespeare podem ser comparados.

2. Reúna-se com seus companheiros e discuta as seguintes palavras de Lao-Tsé:

a) "Decretar ordem por violência E criar desordem"

b) "Assim como o peixe Só pode viver em suas águas, Assim só pode o chefe de Estado Dominar sem violência"

Pág. 26


A ESSÊNCIA DO TALMUDE

DA ORIENTAÇAO SAGRADA

O estudo da Tora é maior que o sacerdócio e a púrpura real.

Um bastardo instruído vale mais que um sumo sacerdote ignorante.

Se tiver assistido a uma ação pecaminosa praticada por um homem instruído, não o censures no dia seguinte, pois é possível que ele se tenha arrependido do seu pecado nesse entre-tempo. Mais ainda: é certo que ele se arrependeu, sendo um homem sábio.

Que a tua casa seja um lugar de reunião de homens cultos; bebe as palavras que saírem de seus lábios como um homem sedento bebe água.

Não convém a um homem instruído andar de sapato remendado. Um "mestre" que aparece de roupa rasgada ou suja desonra os estudiosos.

Pág. 27


Já observastes um encontro entre um homem educado e um ignorante? Antes do encontro, este último considerava-se um taça de ouro de imenso valor. Depois de se entreter um pouco como homem educado, a sua opinião a respeito de si próprio baixa, e a taça de ouro reduz-se a pequeno copo de prata. E depois de comer e beber com o homem educado, ele não mais passa de um vaso de barro que se quebra facilmente e não pode ser consertado uma vez que se quebrou.

Não recuse a reverência a quem já foi instruído, mas esqueceu muita coisa por causa da idade avançada. Pois mesmo na sagrada arca da aliança jazem pedaços quebrados das tábuas de pedra, assim como as tábuas inteiras em que a Lei foi escrita.




Dostları ilə paylaş:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   25


Verilənlər bazası müəlliflik hüququ ilə müdafiə olunur ©genderi.org 2019
rəhbərliyinə müraciət

    Ana səhifə