A educação é a prática mais humana, considerando-se a profundidade e a amplitude de sua influência na existência dos homens



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Cáp. 08

O Pensamento pedagógico positivista

O pensamento pedagógico positivista consolidou a concepção burguesa da educação. No interior do iluminismo e da sociedade burguesa duas orças antagônicas tomaram forma desde o final do século XVIII. De um lado, o movimento popular e socialista; de outro, o movimento elitista burguês. Essas duas correntes opostas chegam ao século XIX sob os nomes de marxismo e de positivismo, representadas por seus dois expoentes máximos: AUGUSTO COMTE (1798- 1857) e KARL MARX (1818-1883).

Augusto Comte estudou na escola politécnica de Paris, onde recebeu influência de alguns intelectuais, entre os quais o matemático JOSEPH-LOUIS LAGRANGE (1736- 1813) e o astrônomo PIERRE SIMON DE LAPLACE (1749-1827). Foi secretário de Saint-Simon de quem seguiu a orientação para o estudo das ciências sociais e as idéias de que os fenômenos sociais como os físicos podem. ser reduzidos a leis e de que todo conhecimento científico e filosófico deve ter por finalidade o aperfeiçoamento moral e político da humanidade. A principal obra de Comte é o Curs9 de filosofia positiva, composto de seis volumes, publicados entre 1830 e 1842)Separado de sua primeira mulher conheceu Clotilde de Vaux em 1845, cuja morte ocorreria no ano seguinte. viveu "em perfeita comunhão espiritual

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Depois da perda de Clotilde, Comte transformou-a na musa inspiradora de uma nova religião, cujas idéias se encontram na obra Política positiva, ou Tratado de sociologia instituindo a religião da humanidade (1851-1854). A segunda parte de sua vida teve como objetivo transformar a filosofia em religião, assim como a primeira parte tentou transformara ciência em filosofia.

Para Augusto Comte, a derrota do iluminismo e dos ideais revolucionários devia- se à ausência de concepções científicas. Para ele, a política linha de ser uma ciência exata. Já Marx buscava as razões do fracasso na própria essência da revolução burguesa, que era contraditória: proclamava t liberdade e a igualdade, mas não as realizaria enquanto não mudasse o sistema econômico que instaurava a desigualdade na base da sociedade. Uma verdadeira ciência, para Comte, deveria analisar todos os fenômenos, mesmo os humanos, com o fatos. Necessitava ser uma ciência positiva. Tanto nas ciências da natureza quanto nas ciências humanas, dever-se-ia afastar qualquer preconceito ou pressuposto ideológico. A ciência precisava ser neutra. Leis naturais, em harmonia, regeriam a sociedade. O positivismo representava a doutrina que consolidaria a ordem pública, desenvolvendo nas pessoas uma "sábia resignação" ao seu status quo. Nada de doutrinas criticas, destrutivas, subversivas, revolucionárias como as do iluminismo da Revolução Francesa ou as do socialismo. Em poucas palavras: só uma doutrina positiva serviria de base da formação científica da sociedade. Comte combateu o espírito religioso, mas acabou propondo a institui;ão do que chamou "religião da humanidade" para substituir a Igreja. Segundo ele, a humanidade passou por três etapas sucessivas: o estado

teológico, durante o qual o homem explicava a natureza por agentes sobrenaturais; o estado metafísico, no qual tudo se justificava através de noções abstratas como essência, substância, causalidade, etc.; e o estado positivo, o atual, onde se buscam as leis científicas. Da "lei dos três estados" Comte deduziu o sistema educacional. Ele afirmava que em cada homem as fases históricas se reproduziriam, ou seja, que cada

indivíduo repetiria as fases da humanidade. Na primeira fase, a da infância, a aprendizagem não teria um caráter Formal. Transformaria gradativamente o fetichismo natural inicial numa concepção abstrata do mundo. Na segunda fase, a da adolescência e da juventude, o homem adentraria no estudo sistemático das ciências. Aos poucos, o homem na idade madura chegaria ao estado positivo, passando do estado metafísico. Não mais abraçaria a religião de um Deus

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abstrato. Enlaçaria a religião do Grande Ser, que é a Humanidade. A educação formaria, portanto, a solidariedade humana. Na realidade, a lei dos três estados de Comte acabava esbarrando com a própria evolução dos educandos. Estes de modo algum seguiam uma previsão tão positiva. De fato, as crianças não imaginavam forças divinas para explicar o mundo e nem os jovens se mostravam muito afeitos a abstrações metafísicas. Ou seja, a lei dos três estados não explica à evolução da história. Seguindo Comte, HERBERT SPENCER (1820-1903) deixou de lado a concepção religiosa do mestre e valorizou o princípio da formação científica na educação. Buscou saber que conhecimentos realmente contavam para os indivíduos se desenvolverem. E concluiu que os conhecimentos adquiridos na escola necessitavam, antes de mais nada, possibilitar uma vida melhor, com relação à saúde, ao trabalho, à família, para a sociedade em geral. - Essa tendência cientificista na educação continuava o movimento

sensorialista dos dois séculos anteriores. Mas, na prática, a introdução das tendências no currículo escolar ocorreu muito vagarosamente, resistindo à dominação da filosofia, da teologia e das línguas clássicas. A tendência cientificista ganhou força na educação com o desenvolvimento da sociologia em geral e da sociologia da educação. Afinal, o positivismo negava a especificidade metodológica das ciências sociais em relação às ciências naturais, identificando-as. Essa identificação será depois criticada pelo marxismo. Um dos principais expoentes na sociologia da educação positivista foi ÉMILE DURKHEIM (1858-1917). Ele considerava a educação como imagem e reflexo da sociedade. A educação é um fato fundamentalmente social, dizia ele. Assim, a pedagogia seria uma teoria da prática social. Durkheim é o verdadeiro mestre da sociologia positivista moderna. Em ~ obra Regras do método sociológico afirma que a primeira e mais fundamental regra é considerar os fatos sociais como coisas. Para ele, a sociedade se comparava a um animal: possui um sistema de órgãos diferentes em de cada um desempenha um papel especifico. Alguns órgãos seriam totalmente mais privilegiados do que outros. Esse privilégio, por ser naturalmente representaria um fenômeno normal, como em todo organismo vivo onde predomina a lei da sobrevivência dos mais aptos (evolucionismo) e a luta pela vida, em nada modificável. Esse conjunto de idéias pedagógicas e sociais revela o caráter conservador e reacionário da tendência positivista na educação.

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O positivismo, cuja doutrina visava à substituição da manipulação mítica e mágica do real pela visão científica, acabou estabelecendo uma nova fé, a fé na ciência, que subordinou a imaginação científica à pura observação empírica. Seu lema sempre foi "ordem e progresso". Acreditou que para progredir é preciso ordem e que a pior ordem é sempre melhor do que qualquer desordem. Portanto, o positivismo tornou-se uma ideologia da ordem, da resignação e, contraditoriamente, da estagnação social. Para os pensadores positivistas, a libertação social e política passava pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia, sob o controle das elites. O positivismo nasceu como filosofia, portanto interrogando-se sobre o real e a ordem existente; mas, ao dar uma resposta ao social, afirmou-se como ideologia. A expressão do positivismo no Brasil inspirou a Velha República e o golpe militar de 1964. Segundo essa ideologia da ordem, o país não seria mais governado pelas "paixões políticas", mas pela racionalidade dos cientistas desinteressados e eficientes: os tecnocratas. A tecnocracia instaurada a partir de 1964 nos oferece um exemplo prático do ideal social positivista, preocupado apenas com a manutenção dos "fatos sociais", entre eles, a existência concreta das classes. Essa doutrina serviu muito às elites brasileiras quando sentiram seus privilégios ameaçados pela organização crescente da classe

trabalhadora. Daí terem recorrido aos dirigentes militares, que são as elites "ordeiras" vislumbradas por Comte. A teoria educacional de Durkheim opõe-se diametralmente à de Rousseau. Enquanto este afirmava que o homem nasce bom e a sociedade o perverte, Durkheim declarava que o homem nasce egoísta e só a sociedade, através da educação, pode torná-lo solidário. Por isso, a educação, para o último se definia como ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontravam ainda preparadas para a vida social. O pensamento positivista caminhou, na pedagogia, para o pragmatismo que só considerava válida a formação utilizada praticamente na vida presente, imediata. Entre os pensadores que desenvolveram essa tese encontram-se ALFRED NORTH WHITEHEAD (1861-1947), para quem "a educação é a arte de utilizar os conhecimentos, BERTRAND RUSSEL (1872-1970) e LUDWIG WITTGENSTEIN (1889-195 1). Os dois últimos preocuparam-se sobretudo com a formação do espírito científico e com o desenvolvimento da lógica.

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Apesar do pouco entusiasmo que os educadores progressistas brasileiros demonstram pelo pensamento pedagógico positivista, devido a suas multiplicações politico-ideológicas, ele trouxe muitas contribuições para o avanço da educação, principalmente pela crítica que exerceu sobre o pensamento humanista cristão. No Brasil, o positivismo influenciou o primeiro projeto de formação do educador, no final do século passado. O valor dado à ciência no processo pedagógico justificaria maior atenção ao pensamento positivista. É inegável sua contribuição ao estudo científico da educação.

QUAIS SÃO OS CONHECIMENTOS DE MAIOR VALOR?

Evidentemente o primeiro passo a dar está em classificarmos, por ordem de importância, os gêneros principais da atividade que constitui a vida do homem. Podem enunciar-se naturalmente pela forma seguinte: lª) atividades que diretamente contribuem para a conservação própria; 2ª) atividades que, assegurando as coisas necessárias à vida, contribuem indiretamente para a conservação própria; 3ª) atividades que têm por fim a educação e disciplina dos filhos; 4ª) atividades relativas ao nosso procedimento social e às nossas relações políticas; 5ª) atividades que preenchem da vida, consagradas à satisfação dos gostos e dos sentimentos.

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Não precisamos de longas considerações para demonstrarmos que é esta aproximadamente a ordem verdadeira por que devemos fazer aquela subordinação. As ações e precauções pelas quais, de momento para o momento, asseguramos a nossa conservação pessoal devem ocupar inegavelmente o primeiro lugar... Assim para a questão que formulamos - quais são os conhecimentos de maior valor? - há uma resposta uniforme - a Ciência. É o veredictum para todas as interrogações. Para a direta conservação própria, para a conservação da vida e da saúde, o conhecimento mais importante é a Ciência. Para a indireta conservação própria, o que se chama ganhar a vida, o conhecimento de maior valor é a Ciência. Para o justo desempenho das funções de família o guia mais próprio só se encontra na Ciência. Para a interpretação da vida nacional, no passado e no presente, sem a qual o cidadão não pode justamente regularizar o seu procedimento, a chave indispensável é a Ciência. Para a produção mais perfeita e para os gozos da arte em todas as suas formas, a preparação imprescindível é ainda a Ciência, e para os fins da disciplina intelectual, moral e religiosa, o estudo mais eficaz é, ainda uma vez, a Ciência. A pergunta que a princípio nos pareceu tão embaraçosa tomou-se, depois da nossa investigação, relativamente simples. Se calculamos os graus de importância das diferentes ordens da atividade humana e o mérito dos diversos estudos que lhes dizem respeito, vemos que o estudo da Ciência, na sua significação mais lata, é a melhor preparação para todas essas ordens de atividade. Não temos a julgar entre as pretensões dos conhecimentos que têm maior valor, posto que convencional, e os conhecimentos de menor valor, mas intrínseco; os conhecimentos que provam ter mais valor em todos os outros pontos de vista são aqueles que têm maior valor intrínseco; o seu mérito não depende da opinião, mas está fixado, como as relações que o homem tem com o mundo que o cerca. Necessárias e eternas como são as suas verdades, todas as Ciências interessam por certo tempo a toda a humanidade. No presente, como no futuro mais longínquo, deve ser da máxima importância para a regularização do seu proceder que os homens estudem a ciência da vida física, intelectual e social, e que considerem todas as outras ciências como a chave para a ciência da vida. Todavia, este estudo, imensamente transcendente na sua importância, é aquele que num século em que tanto se exalta a educação, menos atenção nos merece. Quando aquilo que chamamos civilização não se pode de modo algum obter sem a ciência, a ciência constitui apenas um elemento apreciável no ensino das nossas sociedades civilizadas. Embora seja no progresso da ciência que nós devamos encontrar alimento para milhões de indivíduos onde outrora havia apenas para alguns mil, desses milhões poucos mil prestam homenagem àquilo que lhes tomou possível a existência.

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Embora o conhecimento progressivo das propriedades e das só facultasse às tribos errantes tornarem-se nações populosas, mas a* sem conta dessas populosas nações comodidades e prazeres, que os antepassados nem sonharam sequer, e em que nunca poderiam crer, este estudos só agora recebe um aplauso regateado nos nossos institutos da mais alta educação. Ao vagaroso e progressivo conhecimento com as co-existências uniformes e com as seqüências dos fenômenos, ao estabelecimento das leis invariáveis, devemos a nossa emancipação das mais grosseiras superstições. Se não fosse a ciência, ainda hoje adorávamos fetiches e, com hecatombes de vítimas, tomaríamos propícias as divindades diabólicas. E, todavia, essa ciência que, em vez das mais degradantes concepções das coisas, nos deu largas vistas sobre as grandezas da criação, é considerada como inimiga pelas nossas teologias e fulminada do alto dos nossos púlpitos. Parafraseando uma fábula oriental, podemos dizer que na família dos

conhecimentos, a Ciência é a gata borralheira que na obscuridade oculta perfeições ignoradas. A ela cometem-se todos os trabalhos; pela sua

perícia, pela sua inteligência, pela sua dedicação é que se obtiveram todas as comodidades e todos os prazeres, e enquanto trabalha incessantemente por todas as outras, conserva-se no último plano, para que as suas irmãs possam ostentar os seus ouropéis aos olhos do mundo. O paralelo pode ser levado ainda mais longe. Porque à medida que caminhamos para o desenlace, as posições vão mudando; e enquanto essas irmãs altivas caem no merecido desprezo, a Ciência, proclamada como a mais alta em valor e em beleza, reinará suprema.

SPENCER, Herbert. Educação intelectual, moral e físico. Rio de Janeiro,

ANÁLISE E REFLEXÃO

1. Que relação você vê entre as idéias de Rousseau e as de Spencer?

2. Enumere as contribuições da ciência, segundo Spencer.

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Para definir educação, será preciso, pois, considerar os sistemas

educativos que ora existem, ou tenham existido, compará-los, e aprender deles os caracteres comuns. O conjunto desses caracteres constituirá a definição que procuramos. Nas considerações do item anterior, já assinalamos dois desses caracteres. Para que haja educação, faz-se mister que haja, em face de uma geraçã o de adultos, uma geração de indivíduos jovens, crianças e adolescentes; e que uma ação seja exercida pela primeira, sobre a segunda. Seria necessário definir, agora, a natureza especifica dessa influência de uma sobre outra geração. Não existe sociedade na qual o sistema de educação não apresente o duplo aspecto: o de ser, ao mesmo tempo, uno e múltiplo. Vejamos como ele é múltiplo. Em certo sentido, há tantas espécies de educação, em determinada sociedade, quantos meios diversos nela existirem. É ela formada de castas? A educação varia de uma casta a outra; a dos "patrícios" não era a dos plebeus; a dos brâmanes não era a dos sudras. Da mesma forma, na Idade Média, que diferença de cultura entre o pajem, instruído em todos os segredos da cavalaria, e o vilão, que ia aprender na escola da paróquia, quando

aprendia, parcas noções de cálculo, canto e gramática! Ainda hoje não vemos que a educação varia com as classes sociais e com as regiões? A da cidade não é a do campo, a do burguês não é a do operário. Dir-se-á que esta organização não é moralmente justificável, e que não se pode enxergar nela senão um defeito, remanescente de outras épocas, e destinado a desaparecer. A resposta a essa objeção é simples. Claro está que a educação das crianças não deveria depender do acaso, que as fez nascer aqui ou acolá, destes pais e não daqueles. Mas, ainda que a consciência moral de nosso tempo tivesse recebido, acerca desse ponto, a satisfação que ela espera, ainda assim a educação não se tornaria mais uniforme e igualitária. E, dado mesmo que a vida de cada criança não fosse, em grande parte, predeterminada pela hereditariedade, a diversidade moral das profissões não deixaria de acarretar, como

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conseqüência, grande diversidade pedagógica. Cada profissão constitui um meio sui generis, que reclama aptidões particulares e conhecimentos especiais, meio que é rígido por certas idéias, certos usos, certas maneiras de ver as coisas; e, como a criança deve ser preparada em vista de certa função, a que será chamada a preencher, a educação não pode ser a mesma, desde certa idade, para todos os indivíduos. Eis por que vemos, em todos os países civilizados, a tendência que ela manifesta para ser, cada vez mais, diversificada e especializada; e

essa especialização, dia a dia, se torna mais precoce. A heterogeneidade, que assim se produz, não repousa, como aquela de que há pouco tratamos, sobre

injustas desigualdades; todavia, não é menor. Para encontrar um tipo de educação absolutamente homogêneo e igualitário, seria preciso remontar até às sociedades pré-históricas, no seio das quais não existisse nenhuma diferenciação. Devemos compreender, porém, que tal espécie de sociedade não representa senão um momento imaginário na história da humanidade. (...) A sociedade não poderia existir sem que houvesse em seus membros certa homogeneidade: a educação perpetua e reforça essa homogeneidade, fixando de antemão na alma da criança certas similitudes essenciais, reclamadas pela vida coletiva. Por outro lado, sem uma tal ou qual diversificação, toda cooperação seria impossível: a educação assegura a persistência desta diversidade necessária, diversificando-se ela mesma e permitindo as especializações. Se a sociedade tiver chegado a um grau de desenvolvimento em que as antigas divisões, em castas e em classes, não possam mais manter-se, ela prescreverá uma educação mais igualitária, como básica. Se, ao mesmo tempo, o trabalho se especializar, ela provocará nas crianças, sobre um primeiro fundo de idéias e de sentimentos comuns, mais rica diversidade de aptidões profissionais. Se um grupo social viver em estado permanente de guerra com sociedades vizinhas, ele se esforçará por formar espíritos fortemente nacionalistas; se a concorrência internacional tomar forma mais pacífica, o tipo que procurará realizar será mais geral e mais humano. A educação não é, pois, para a sociedade, senão o meio pelo qual ela prepara, no íntimo das crianças, as condições essenciais da própria existência. Mais adiante veremos como ao indivíduo, de modo direto, interessará submeter-se a essas exigências. Por ora, chegamos à fórmula seguinte: A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e desenvolver na criança, certo número de estados físicos intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política no seu conjunto e pelo meio especial a que a criança, particularmente se destine.

DURKHEIM, Ëmile. Educação e sociologia. São Paulo, melhoramentos 1955

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1. Faça um resumo das idéias de Durkheim contidas no texto.

2. Explique:

"A educação não é, pois, para a sociedade, senão o meio pelo qual ela prepara, no íntimo das crianças, as condições essenciais da própria existência".

Cultura é atividade do pensamento e receptividade à beleza e ao humano sentimento. Fragmentos de informações nada têm a ver com ela. Um homem meramente bem informado é o maçante mais inútil na face da terra. O que deveríamos procurar produzir são homens que possuam cultura e conhecimentos especializados em algum ramo particular. Seus conhecimentos especializados lhes darão um ponto de partida, e sua cultura os levará até as profundidades da filosofia e às alturas da arte. Precisamos lembrar-nos de que o desenvolvimento intelectual de valor é o desenvolvimento próprio, e que na grande maioria ele se dá entre as idades de dezesseis e trinta anos. (...) Ao prepararmos uma criança para a atividade do pensamento, devemos, antes de tudo, precaver-nos contra o que chamarei de "idéias inertes", isto é, idéias que são simplesmente recebidas pela mente sem que sejam utilizadas ou testadas ou mergulhadas em novas combinações. (...)

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Vamos agora perguntar como em nosso sistema de educa nos contra essa aridez mental. Enunciemos dois mandamentos ensine matérias demais" e "O que ensinar, ensine bem". O resultado de ensinar pequenas partes de grande número de matérias é a recepção passiva de idéias desconexas, não iluminadas por qualquer fagulha de vitalidade; Que as idéias principais introduzidas na educação de uma criança sejam poucas, porém, importantes, e que se permita sejam misturadas em todas as combinações possíveis,' A criança deveria tomá-las suas e saber como aplicá-las sempre em todas as circunstâncias de sua vida real. Desde o início de sua educação, a criança deveria experimentara alegria da descoberta. A descoberta que tem que fazer é a de que as idéias gerais dão uma compreensão do curso de acontecimentos, o qual flui por toda a sua vida, o qual é sua vida. Por compreensão quero dizer mais do que mera análise lógica, embora isso esteja incluído. Refiro-me a compreensão" no sentido em que é usada no provérbio francês "Quando se compreende tudo, perdoa-se tudo". Os pedantes ridicularizam a educação útil; mas se a educação não é útil, o que será? Será um bem destinado a ficar oculto algures? Naturalmente a educação deve ser útil, qualquer que seja seu objetivo na vida. Foi útil a Santo Agostinho e a Napoleão. É útil porque a compreensão é útil.

Serei breve quanto à compreensão que nos deve ser dada pelo lado literário da educação. Também não desejo que suponham que eu faça pronunciamentos sobre os méritos relativos de um currículo clássico ou moderno. Quero unicamente observar que a compreensão que desejamos é a compreensão de um insistente presente. A única utilidade de conhecer o passado está em aparelhar-nos para o presente. Não existe perigo mais mortal para as mentalidades jovens do que depreciar o presente. O presente contém tudo o que existe. (...) A educação é a aquisição da arte de utilizar os conhecimentos. É uma arte muito difícil de se transmitir. Sempre que se escreve um manual de verdadeiro valor educacional, pode-se estar quase certo de que algum crítico dirá que será muito difícil ensinar por meio dele. Naturalmente que será difícil. Se fosse fácil, o livro deveria ser queimado, pois não poderia ser educacional. Na educação, como em outras coisas, os lindos caminhos floridos levam a lugares desagradáveis. Esse mau caminho é representado por um livro ou série de palestras que praticamente permitirão ao estudante decorar todas as perguntas que provavelmente apareçam no próximo exame. Posso passagem, que nenhum sistema educacional é possível a menos que cada pergunta diretamente a um aluno em qualquer exame seja formulada ou revista pelo desse aluno naquela matéria. O assessor externo poderá fazer referência ao desempenho dos alunos, mas nunca lhe deveria ser permitido a pergunta que não fosse estritamente supervisionada pelo seu professor ou, pelo menos

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inspirada por uma longa conferência com o mesmo. Existem algumas poucas exceções a essa regra, mas são exceções e, como tais, podem facilmente ser

permitidas sob a regra geral. Voltemos agora a meu ponto de vista inicial, que as idéias teóricas



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